"Sugar Man" - David Holmes (música muito aconselhavel. O Sr. é responsável, entre outras coisas, pela banda sonora do Ocean´s Eleven)
Sugar man, won't you hurry
'Cos I'm tired of these scenes
For a blue coin won't you bring back
All those colours to my dreams
Silver magic ships you carry
Jumpers, coke, sweet Mary Jane
Sugar man met a false friend
On a lonely dusty road
Lost my heart when I found it
It had turned to dead black coal
Silver magic ships you carry
Jumpers, coke, sweet Mary Jane
Sugar man you're the answer
That makes my questions disappear
Sugar man 'cos I'm weary
Of those double games I hear
Sugar man you're the answer
That makes my questions disappear
Tuesday, March 30, 2004
Ping-Pong
“Ó Mouro, porque é que escreves coisas tão deprimentes?”
Deprimente é a Ágata! Eventualmente escrevo coisas depressivas. Estás tão preocupada com a pontuação e as vírgulas, mas não te preocupas com o significado dos termos que usas? Até pode ser verdade que as palavras nunca são aquilo que pretendemos, mas aquilo que os outros entendem, mas não custa nada ter mais cuidado com aquilo que se diz.
“mas não poderias escrever coisas mais alegres e divertidas (tu até tens algum jeito)? A vida já tão triste.”
Até pode ser triste, e se for esse o caso eu estou aqui apenas para lembrar que podia ser ainda pior. Que o riso de escárnio que baila na tua boca quando alguém escorrega e cai, a piada fácil de sexo que entendes mas recusas admitir, são apenas um sal impuro e contaminado, do qual te alimentas (in)conscientemente para alcançar o torpor da pobreza de espírito. A alegria virá quando tiveres consciencia do que és, e de que, para seres melhor do que os outros, basta que tentes apenas ser melhor do que tu própria. Parece uma daquelas verdades universais, não é? Então porque insistes em ficar feliz com as quedas dos outros?
“Escreves de uma forma tão complexa... não podias explicar aquilo que afinal queres transmitir? Só algumas pistas...”
Podia! Mas se o fizesse estaria a contaminar o teu pensamento. Todas as tuas reflexões iriam ter como ponto de partida as minhas próprias, e nesse ponto deixarias de ser livre. Talvez pudesse ser mais explícito do ponto de vista formal, situar melhor as minhas estórias, poli-las mais. Mas confesso a minha incapacidade para discernir o essencial do acessório quando escrevo. Acredita que é muito fácil ficar enebriado com as palavras per si, e chegar ao final com um prato de nouvelle cuisine, muito bonito mas... ou então como uma bela feijoada, demasiado pesado. Logo, entre escrever de menos e ser pouco explícito, ou escrever só aquilo que para mim é essencial....
“Acho que escreves estórias simples apenas porque te falta capacidade argumentativa!”
Mea culpa! Sim, já o admiti. Ao contrário doutros não consigo esvrever de forma lógica tudo aquilo em que penso. Por isso crio personagens, estórias, recorro a analogias, enfim recorro á minha criatividade. Nunca disse que queria escrever aqui pequenos ensaios acerca de tudo e de nada. Isso não me interessa. Mais do que as minhas próprias reflexões estou mais interessado em fazer reflectir. Considera-me o teu espelho.
“E não tinhas prometido a ti próprio não justificares nada daquilo que escreves, ou porque é que o fazes? Onde pára a tua coerência?“
A minha incoerência reflete a minha personalidade única.
“Ó Mouro, porque é que escreves coisas tão deprimentes?”
Deprimente é a Ágata! Eventualmente escrevo coisas depressivas. Estás tão preocupada com a pontuação e as vírgulas, mas não te preocupas com o significado dos termos que usas? Até pode ser verdade que as palavras nunca são aquilo que pretendemos, mas aquilo que os outros entendem, mas não custa nada ter mais cuidado com aquilo que se diz.
“mas não poderias escrever coisas mais alegres e divertidas (tu até tens algum jeito)? A vida já tão triste.”
Até pode ser triste, e se for esse o caso eu estou aqui apenas para lembrar que podia ser ainda pior. Que o riso de escárnio que baila na tua boca quando alguém escorrega e cai, a piada fácil de sexo que entendes mas recusas admitir, são apenas um sal impuro e contaminado, do qual te alimentas (in)conscientemente para alcançar o torpor da pobreza de espírito. A alegria virá quando tiveres consciencia do que és, e de que, para seres melhor do que os outros, basta que tentes apenas ser melhor do que tu própria. Parece uma daquelas verdades universais, não é? Então porque insistes em ficar feliz com as quedas dos outros?
“Escreves de uma forma tão complexa... não podias explicar aquilo que afinal queres transmitir? Só algumas pistas...”
Podia! Mas se o fizesse estaria a contaminar o teu pensamento. Todas as tuas reflexões iriam ter como ponto de partida as minhas próprias, e nesse ponto deixarias de ser livre. Talvez pudesse ser mais explícito do ponto de vista formal, situar melhor as minhas estórias, poli-las mais. Mas confesso a minha incapacidade para discernir o essencial do acessório quando escrevo. Acredita que é muito fácil ficar enebriado com as palavras per si, e chegar ao final com um prato de nouvelle cuisine, muito bonito mas... ou então como uma bela feijoada, demasiado pesado. Logo, entre escrever de menos e ser pouco explícito, ou escrever só aquilo que para mim é essencial....
“Acho que escreves estórias simples apenas porque te falta capacidade argumentativa!”
Mea culpa! Sim, já o admiti. Ao contrário doutros não consigo esvrever de forma lógica tudo aquilo em que penso. Por isso crio personagens, estórias, recorro a analogias, enfim recorro á minha criatividade. Nunca disse que queria escrever aqui pequenos ensaios acerca de tudo e de nada. Isso não me interessa. Mais do que as minhas próprias reflexões estou mais interessado em fazer reflectir. Considera-me o teu espelho.
“E não tinhas prometido a ti próprio não justificares nada daquilo que escreves, ou porque é que o fazes? Onde pára a tua coerência?“
A minha incoerência reflete a minha personalidade única.
Friday, March 26, 2004
Uma estória de amor lamechas
O tótó e a tátá conhecem-se desde miúdos. E quando os níveis de hormonas se elevaram, apaixonaram-se.
O tótó era fiél. Quando a pupu, uma bela mulher, lhe quis ensinar um ou dois truques, para ele mostrar orgulhoso à sua tátá, ele orgulhosamente, e contra o resultado do referendo feito pelos amigos, recusou.
A tátá era virgem. Quando se chateou com o tótó (as zangas fazem parte de qualquer relação amorosa) pediu ajuda a um amigo do agora namorado-pause. Este amigo ajudou aliviando-a do peso da virgindade.
Passado uma semana tinham pressionado a tecla play do namoro, que seguiu feliz como nunca.
E agora?
O tótó e a tátá casaram, têm uma ninhada de pupus e ainda vivem felizes.
Tudo está bem quando acaba bem. Adoro estórias de amor felizes...
O tótó e a tátá conhecem-se desde miúdos. E quando os níveis de hormonas se elevaram, apaixonaram-se.
O tótó era fiél. Quando a pupu, uma bela mulher, lhe quis ensinar um ou dois truques, para ele mostrar orgulhoso à sua tátá, ele orgulhosamente, e contra o resultado do referendo feito pelos amigos, recusou.
A tátá era virgem. Quando se chateou com o tótó (as zangas fazem parte de qualquer relação amorosa) pediu ajuda a um amigo do agora namorado-pause. Este amigo ajudou aliviando-a do peso da virgindade.
Passado uma semana tinham pressionado a tecla play do namoro, que seguiu feliz como nunca.
E agora?
O tótó e a tátá casaram, têm uma ninhada de pupus e ainda vivem felizes.
Tudo está bem quando acaba bem. Adoro estórias de amor felizes...
Thursday, March 25, 2004
Lítio e Cafeína
De facto não me apetece fazer nada. Queria um café e lítio se faz favor... já agora tem para aí uma janela com uma boa vista para cidade? Pode ser do 10º andar... suícidio?! Não! Sou demasiado covarde. Preciso apenas de testar uma guarda-chuva novo, disseram-me na loja que era especialmente resistente.
“lá estás tu outra vez!”
“achas mesmo que vais resolver alguma coisa com estas lamúrias?”
“é sempre a mesma coisa, sempre que algo não está bem ficas com essa cara de cachorro...”
“estás á espera que tenham pena de ti, não é?” “nem tu, nem nós acreditamos nessa treta”
Eu não quero que tenham pena de mim! Eu assumo todas as minhas decisões!
“ou a falta delas”
E qual o problema de ficar parado á espera que as coisas aconteçam por sí? Assim nunca erro, nem nunca sou rejeitado...
“pois, pois...”
“e esse travo amargo que fica na boca após as não-decisões...”
“e se?” “essa pergunta não te faz comichão por dentro?”
“claro que podes sempre ficar eternamente no sofá a imaginar que escreveste aquela carta, ou que fizes-te aquele telefonema...”
“... adivinha...”
“NÃO O FIZESTE!”
Mas isso foi uma não-opção minha!!!!! O ócio quando ataca pode ser o nosso melhor amigo, ficar á espera, como no útero, até ser violentamente empurados para o mundo. E se tiverem pena de mim?! Sim! Eu faço isso! E resulta! Eu sei que resulta, eu sou bom nisso... pelo menos nisso... que culpa tenho se os que me rodeiam caem no truque vez após vez, em vez de me espancar para me arrancar do torpor?
“queres violência?”
“por não a inflinges a ti próprio?”
"a única e possível solução para os teus problemas..."
“quais problemas?”
“pareces uma novela mexicana...”
“...esquizofrénico cor-de-rosa...”
“... andas a inventar problemas para te sentires triste...”
O riso assume para mim a importância da cocaína. Preciso de cada vez mais para me sentir bem, e quando caio em mim apercebo-me mais nítidamente do que me rodeia, quase que me observo do alto, triste...
“... pensas que os depressivos são mais criativos?”
“... talvez o sejam...”
“mas não pretendes afirmar que todos os drogados escrevem como o Jim ou como o Kurt?”
“pfui..”
“julgaste uma grande coisas por escrever aquilo que estas vozes te falam?”
“adivinha uma coisa...”
“... não és o único!”
“ser humano...”
“...temos pena de ti”
Mas escrevo! Tomei essa decisão! E nem que deixe de ter quem me leia, ou quem goste de o fazer, vou continuar a fazê-lo. Sim, isto é exercio de masturbação mental, associado ao voyerismo de uns quantos, mas é a ejeculação final que dá prazer. E quanto mais observam mais os meus movimentos ficam tolhados, e sinto os seus olhos a examinar-me, como eu lhes faço todos os dias sem eles saberem (condição essencial para testas as suas verdadeiras reações), sinto que começo a auto-limitar a minha criatividade...
“qual criatividade?”
“daqui a umas semanas estás a escrever lamechices...”
“... com coraçõeszinhos...”
“... bolas de sabão...”
“... atiradas por uma rancho de garotos louros e sardentos....”
“enquanto o seu lanche é comido pelos negros esfomeados...”
“... tudo numa harmonia feliz.”
“brincadeirinha...”
“nós sabemos que não o vais fazer...”
“(embora o desejes profundamente)”
“por não tens capacidade para tal!”
Obrigado pelo elogio. E sim, pretendo ser mais que a maioria. Aspiro à perfeição que recuso ver nos outros. Se não escrevi um livro, escrevo estes textos caóticos, não plantei uma árvore, mas semei milho, e não fiz um filho (felizmente), mas por vezes pratico.
“fracos substitutos...”
“...atreveste a comparar a masurbação ao acto de fazer amor!”
“nem a morte mereces...”
“... apodrece no teu sofá!”
Olhe já não quero o lítio. Fico-me pela caféina... preciso de falsa energia, para recuperar desta tareia.
De facto não me apetece fazer nada. Queria um café e lítio se faz favor... já agora tem para aí uma janela com uma boa vista para cidade? Pode ser do 10º andar... suícidio?! Não! Sou demasiado covarde. Preciso apenas de testar uma guarda-chuva novo, disseram-me na loja que era especialmente resistente.
“lá estás tu outra vez!”
“achas mesmo que vais resolver alguma coisa com estas lamúrias?”
“é sempre a mesma coisa, sempre que algo não está bem ficas com essa cara de cachorro...”
“estás á espera que tenham pena de ti, não é?” “nem tu, nem nós acreditamos nessa treta”
Eu não quero que tenham pena de mim! Eu assumo todas as minhas decisões!
“ou a falta delas”
E qual o problema de ficar parado á espera que as coisas aconteçam por sí? Assim nunca erro, nem nunca sou rejeitado...
“pois, pois...”
“e esse travo amargo que fica na boca após as não-decisões...”
“e se?” “essa pergunta não te faz comichão por dentro?”
“claro que podes sempre ficar eternamente no sofá a imaginar que escreveste aquela carta, ou que fizes-te aquele telefonema...”
“... adivinha...”
“NÃO O FIZESTE!”
Mas isso foi uma não-opção minha!!!!! O ócio quando ataca pode ser o nosso melhor amigo, ficar á espera, como no útero, até ser violentamente empurados para o mundo. E se tiverem pena de mim?! Sim! Eu faço isso! E resulta! Eu sei que resulta, eu sou bom nisso... pelo menos nisso... que culpa tenho se os que me rodeiam caem no truque vez após vez, em vez de me espancar para me arrancar do torpor?
“queres violência?”
“por não a inflinges a ti próprio?”
"a única e possível solução para os teus problemas..."
“quais problemas?”
“pareces uma novela mexicana...”
“...esquizofrénico cor-de-rosa...”
“... andas a inventar problemas para te sentires triste...”
O riso assume para mim a importância da cocaína. Preciso de cada vez mais para me sentir bem, e quando caio em mim apercebo-me mais nítidamente do que me rodeia, quase que me observo do alto, triste...
“... pensas que os depressivos são mais criativos?”
“... talvez o sejam...”
“mas não pretendes afirmar que todos os drogados escrevem como o Jim ou como o Kurt?”
“pfui..”
“julgaste uma grande coisas por escrever aquilo que estas vozes te falam?”
“adivinha uma coisa...”
“... não és o único!”
“ser humano...”
“...temos pena de ti”
Mas escrevo! Tomei essa decisão! E nem que deixe de ter quem me leia, ou quem goste de o fazer, vou continuar a fazê-lo. Sim, isto é exercio de masturbação mental, associado ao voyerismo de uns quantos, mas é a ejeculação final que dá prazer. E quanto mais observam mais os meus movimentos ficam tolhados, e sinto os seus olhos a examinar-me, como eu lhes faço todos os dias sem eles saberem (condição essencial para testas as suas verdadeiras reações), sinto que começo a auto-limitar a minha criatividade...
“qual criatividade?”
“daqui a umas semanas estás a escrever lamechices...”
“... com coraçõeszinhos...”
“... bolas de sabão...”
“... atiradas por uma rancho de garotos louros e sardentos....”
“enquanto o seu lanche é comido pelos negros esfomeados...”
“... tudo numa harmonia feliz.”
“brincadeirinha...”
“nós sabemos que não o vais fazer...”
“(embora o desejes profundamente)”
“por não tens capacidade para tal!”
Obrigado pelo elogio. E sim, pretendo ser mais que a maioria. Aspiro à perfeição que recuso ver nos outros. Se não escrevi um livro, escrevo estes textos caóticos, não plantei uma árvore, mas semei milho, e não fiz um filho (felizmente), mas por vezes pratico.
“fracos substitutos...”
“...atreveste a comparar a masurbação ao acto de fazer amor!”
“nem a morte mereces...”
“... apodrece no teu sofá!”
Olhe já não quero o lítio. Fico-me pela caféina... preciso de falsa energia, para recuperar desta tareia.
Monday, March 22, 2004
Parábola da água (ou como é difícil tomar decisões quando não sabemos o que queremos)
“Bom dia” Bom dia. Que vai tomar? “Uma água se faz favor” com ou sem gás? “…” fresca ou natural? “…” com ou sem sabor? E que sabor? “…” e tem preferência por alguma marca em especial? Temos luso, carvalheiros, vimeiro, castelo, Campilho, serra de estrela, das pedras, caramulo… “deixe estar. Já não quero água. Aliás, já não quero nada. Bom resto de dia para si.
“Bom dia” Bom dia. Que vai tomar? “Uma água se faz favor” com ou sem gás? “…” fresca ou natural? “…” com ou sem sabor? E que sabor? “…” e tem preferência por alguma marca em especial? Temos luso, carvalheiros, vimeiro, castelo, Campilho, serra de estrela, das pedras, caramulo… “deixe estar. Já não quero água. Aliás, já não quero nada. Bom resto de dia para si.
Wednesday, March 17, 2004
Almoço de família domingueiro.
Na televisão ainda a notícia dos ataques bombistas em Madrid. A minha mãe questiona, "mas qual a necessidade de matar tantas pessoas inocentes?" "isto é uma guerra. Conheces alguma guerra onde quam morre são os culpados e não os inocentes?" Este meu pai tem cada ideia mais estranha.
Na televisão ainda a notícia dos ataques bombistas em Madrid. A minha mãe questiona, "mas qual a necessidade de matar tantas pessoas inocentes?" "isto é uma guerra. Conheces alguma guerra onde quam morre são os culpados e não os inocentes?" Este meu pai tem cada ideia mais estranha.
Diabos há muitos
Os diabos da tânsmania são muito interessantes. São tão irrascíveis e violentos, que para além de não lhes causar qualquer transtorno matar as suas crias, preferem, mesmo na abundância, roubar o naco de carne dos outros diabos, a comer aquele que lhes está destinada.
Ainda bem que os humanos não são assim!
Os diabos da tânsmania são muito interessantes. São tão irrascíveis e violentos, que para além de não lhes causar qualquer transtorno matar as suas crias, preferem, mesmo na abundância, roubar o naco de carne dos outros diabos, a comer aquele que lhes está destinada.
Ainda bem que os humanos não são assim!
Tuesday, March 16, 2004
Acordei cego.
Despertar estranho, pois à consciência da minha cegueira está associado a inexistência de factos visuais para interpretar. Entre encontrões aos móveis e cabeçadas nas portas consegui tomar pequeno-almoço. Suponho que desfiz a barba bem (embora tenha sentido um liquido quente a escorrer pelo pescoço no final do acto) e que até acertei com a sanita enquanto urinava. Esta minha condição permite que as coisas sejam da forma que o meu cérebro as projecta, a meio caminho entre o sonho e a esquizofrenia. Interessantes as alucinações visuais de um cego esquizofrénico (e não serão todos os esquizofrénicos cegos?).
Ao fim de algum tempo todos os meus outros sentidos estão no máximo. A cegueira levou-me para um plano superior de percepção. O barulho que de inicio não passava de cacofonia, speed metal ou Toy, causando confusão generalizadas nos meus circuitos cerebrais, começa a passar por um crivo selectivo, distingo a pouco e pouco as conversas dos vizinhos, os carros, e até o bater acelerado do meu próprio coração com a ansiedade de absorver todo o mundo que está para além do apartamento.
E saí de casa.
Empurrado pela multidão apercebo-me que já não vejo as suas caras tristes definhando entre pensamentos fúteis. Sinto o tilintar das moedas e o murmúrio de agradecimento, mas não vejo o indigente. Mas não sou um cego platónico. Eu já vi. Todos os sons, cheiros, o macio da lã e a dureza da pele, não os posso interpretar livremente. Estou preso pelas memórias do que já vi. Não preciso de ver o nojo da cara do pedinte e o sorriso orgásmico de quem dá esmola, para saber que eles estão lá. O suor que cheiro tem dono. É aquele homem obeso num fato lilás e cabelo seboso, que procura movimentar-se durante o seu passeio semanal.
Não gosto deste lado da estrada. A percepção de que consigo ver mesmo estando cego, torna-me um invsual numa terra de cegos. “deixe que eu ajudo-o a passar a estrada” mais que uma oferta de uma mulher anónima, soou-me a pedido, mais um lamento pela sua condição, do que pena pela minha. Ninguém dá nada a ninguém, e se a minha cegueira estimulou os outros sentidos, eu continuo sem ver! Sinto de forma diferente a vulnerabilidade do meu corpo, qualquer passo falso pode significar o fim. Poderei ter um encontro com a Morte sem a olhar de frente. E confiar cegamente em alguém num momento de maior vulnerabilidade? Claro! “Está demasiado trânsito para atravessar sozinho” A voz que inicialmente me parecia indistinta de todas as outras que me rodeiam, surge agora mais aveludada, quase sensual. Embora cego não perdi as minhas faculdades de homem, e passou a ser possível identificar pela voz a altura da minha interlocutora e agora guia, senti que os seus dedos eram firmes não se notando o balofo de uma existência fútil… Sou agora uma cria de ave que se deixa empurrar para fora do ninho, confiando na palavra da mãe. Leva-me para onde quiseres (sinto que não se pode dar carta branca a humanos, quaisquer que eles sejam),
Á sensação de comunhão com esta mulher, seguiu-se uma desconfiança virulenta. Não sinto já o movimento das pessoas. Olham-me para mim de mão dada com uma estranha que se prepara para me ajudar(?) a passar para o outro lado. Exibem um sorriso irónico, de prazer abjecto, na antecipação da queda de quem lhes é superior, agora todos em comunhão, felizes e ignorantes do prazer que por breves momentos tive, e que eles nunca poderão possuir. No lado de lá, vou chorar de pena pelos vossos sonhos abjectos e inúteis da minha queda. Por isso é que nunca serão invisuais numa terra de cegos!
Vamos!
Com o braço na minha cintura indicou-me o caminho. A cada passo sentia crescer a minha confiança e a minha empatia por esta desconhecida…
Ei! Onde estás? A minha confiança foi-se! Rodopio sobre mim mesmo e não a vejo… porra! Ainda estou cego! E confuso. Não brinques comigo… estás a brincar não estás?! Não me ias deixar aqui sozinho no meio da…
PUM!!!
Acordei no hospital. E já conseguia ver… “lamento… o Sr. está tetraplégico” quê?! “existem possibilidades de recuperação, mas só com o tempo se saberá a extensão das sequelas, que irão sempre ficar em menor ou maior escala” Obrigado Dr. Naõ me consigo mexer, mas pelo menos já não estou cego.
Despertar estranho, pois à consciência da minha cegueira está associado a inexistência de factos visuais para interpretar. Entre encontrões aos móveis e cabeçadas nas portas consegui tomar pequeno-almoço. Suponho que desfiz a barba bem (embora tenha sentido um liquido quente a escorrer pelo pescoço no final do acto) e que até acertei com a sanita enquanto urinava. Esta minha condição permite que as coisas sejam da forma que o meu cérebro as projecta, a meio caminho entre o sonho e a esquizofrenia. Interessantes as alucinações visuais de um cego esquizofrénico (e não serão todos os esquizofrénicos cegos?).
Ao fim de algum tempo todos os meus outros sentidos estão no máximo. A cegueira levou-me para um plano superior de percepção. O barulho que de inicio não passava de cacofonia, speed metal ou Toy, causando confusão generalizadas nos meus circuitos cerebrais, começa a passar por um crivo selectivo, distingo a pouco e pouco as conversas dos vizinhos, os carros, e até o bater acelerado do meu próprio coração com a ansiedade de absorver todo o mundo que está para além do apartamento.
E saí de casa.
Empurrado pela multidão apercebo-me que já não vejo as suas caras tristes definhando entre pensamentos fúteis. Sinto o tilintar das moedas e o murmúrio de agradecimento, mas não vejo o indigente. Mas não sou um cego platónico. Eu já vi. Todos os sons, cheiros, o macio da lã e a dureza da pele, não os posso interpretar livremente. Estou preso pelas memórias do que já vi. Não preciso de ver o nojo da cara do pedinte e o sorriso orgásmico de quem dá esmola, para saber que eles estão lá. O suor que cheiro tem dono. É aquele homem obeso num fato lilás e cabelo seboso, que procura movimentar-se durante o seu passeio semanal.
Não gosto deste lado da estrada. A percepção de que consigo ver mesmo estando cego, torna-me um invsual numa terra de cegos. “deixe que eu ajudo-o a passar a estrada” mais que uma oferta de uma mulher anónima, soou-me a pedido, mais um lamento pela sua condição, do que pena pela minha. Ninguém dá nada a ninguém, e se a minha cegueira estimulou os outros sentidos, eu continuo sem ver! Sinto de forma diferente a vulnerabilidade do meu corpo, qualquer passo falso pode significar o fim. Poderei ter um encontro com a Morte sem a olhar de frente. E confiar cegamente em alguém num momento de maior vulnerabilidade? Claro! “Está demasiado trânsito para atravessar sozinho” A voz que inicialmente me parecia indistinta de todas as outras que me rodeiam, surge agora mais aveludada, quase sensual. Embora cego não perdi as minhas faculdades de homem, e passou a ser possível identificar pela voz a altura da minha interlocutora e agora guia, senti que os seus dedos eram firmes não se notando o balofo de uma existência fútil… Sou agora uma cria de ave que se deixa empurrar para fora do ninho, confiando na palavra da mãe. Leva-me para onde quiseres (sinto que não se pode dar carta branca a humanos, quaisquer que eles sejam),
Á sensação de comunhão com esta mulher, seguiu-se uma desconfiança virulenta. Não sinto já o movimento das pessoas. Olham-me para mim de mão dada com uma estranha que se prepara para me ajudar(?) a passar para o outro lado. Exibem um sorriso irónico, de prazer abjecto, na antecipação da queda de quem lhes é superior, agora todos em comunhão, felizes e ignorantes do prazer que por breves momentos tive, e que eles nunca poderão possuir. No lado de lá, vou chorar de pena pelos vossos sonhos abjectos e inúteis da minha queda. Por isso é que nunca serão invisuais numa terra de cegos!
Vamos!
Com o braço na minha cintura indicou-me o caminho. A cada passo sentia crescer a minha confiança e a minha empatia por esta desconhecida…
Ei! Onde estás? A minha confiança foi-se! Rodopio sobre mim mesmo e não a vejo… porra! Ainda estou cego! E confuso. Não brinques comigo… estás a brincar não estás?! Não me ias deixar aqui sozinho no meio da…
PUM!!!
Acordei no hospital. E já conseguia ver… “lamento… o Sr. está tetraplégico” quê?! “existem possibilidades de recuperação, mas só com o tempo se saberá a extensão das sequelas, que irão sempre ficar em menor ou maior escala” Obrigado Dr. Naõ me consigo mexer, mas pelo menos já não estou cego.
Where is the pain? (ou Um Pequito de Dignidade)
“Venha cá sr. dr., rápido!” “então enfermeira?! Está alguém para morrer?” “tenho um caso preocupante em mãos. Um dos pacientes tem o pénis erecto!” “que bom para ele” “mas está assim desde que cá chegou ontem em estado comatoso” “gostaria de ajudar mas sou cardiologista não sou nem urologista nem prostituta!” “que não é urologista eu sei, mas discordo que não passe uma vulgar rameira com diploma...” “como?!?” “… quando trocou o juramento hipocrático, por uma viagem a Cuba, vendeu a sua dignidade!” “…” “conheço bem os argumentos! Os remédios são melhores, são aqueles em que confio, e a saúde está primeiro (principalmente a dos seu filhos), e as pessoas estão habituadas ás caixas de uma certa forma e cor e será difícil habituarem-se a umas diferentes. Porque não lhes passa um atestado de insanidade mental? Assim justificaria de uma vez todas as faltas ao trabalho, às aulas, aos exames… Tenho pena de si. Pobre puta!” “olhe o respeito! Eu não lhe chamo nomes quando me faz fellatios durante as horas de serviço!”
Enquanto se discutiam as implicações da presença de delegados médicos na saúde sexual dos profissionais da doença, senti uma presença, da mesma forma que os ratos sentem os tremores de terra. Não soube quem era nem porque o fez. Mas quando se aproximou do meu corpo inerte, preparado para se aquecer numa fornalha (física ou metafórica), percebi que iria despertar. Tocou-me com ternura no que causava tanta repugnância e incredulidade (e uma pontinha de inveja) aos meus tratadores. E com aquele toque ejaculei toda a minha vida, esvaziou-me de qualquer conteúdo… e finalmente dormi.
“Venha cá sr. dr., rápido!” “então enfermeira?! Está alguém para morrer?” “tenho um caso preocupante em mãos. Um dos pacientes tem o pénis erecto!” “que bom para ele” “mas está assim desde que cá chegou ontem em estado comatoso” “gostaria de ajudar mas sou cardiologista não sou nem urologista nem prostituta!” “que não é urologista eu sei, mas discordo que não passe uma vulgar rameira com diploma...” “como?!?” “… quando trocou o juramento hipocrático, por uma viagem a Cuba, vendeu a sua dignidade!” “…” “conheço bem os argumentos! Os remédios são melhores, são aqueles em que confio, e a saúde está primeiro (principalmente a dos seu filhos), e as pessoas estão habituadas ás caixas de uma certa forma e cor e será difícil habituarem-se a umas diferentes. Porque não lhes passa um atestado de insanidade mental? Assim justificaria de uma vez todas as faltas ao trabalho, às aulas, aos exames… Tenho pena de si. Pobre puta!” “olhe o respeito! Eu não lhe chamo nomes quando me faz fellatios durante as horas de serviço!”
Enquanto se discutiam as implicações da presença de delegados médicos na saúde sexual dos profissionais da doença, senti uma presença, da mesma forma que os ratos sentem os tremores de terra. Não soube quem era nem porque o fez. Mas quando se aproximou do meu corpo inerte, preparado para se aquecer numa fornalha (física ou metafórica), percebi que iria despertar. Tocou-me com ternura no que causava tanta repugnância e incredulidade (e uma pontinha de inveja) aos meus tratadores. E com aquele toque ejaculei toda a minha vida, esvaziou-me de qualquer conteúdo… e finalmente dormi.
Wednesday, March 10, 2004
Post-orgasmic chill
Após a tempestade vem a bonança. Relaxamos e ficamos vulneráveis, numa calma apenas possivel durante um sono sem sonhos. Durante o sono atingimos a calma libertadora, regressamos ao pó que fomos e seremos novamente, nada existe em nosso redor pois não temos a consciência da sua existência. O momento em que perdemos a penugem que nos protegia do frio.
É no nosso momento de maior vulnerabilidade, quando desconhecemos tudo o que nos rodeia que encontramos felicidade.
Após a tempestade vem a bonança. Relaxamos e ficamos vulneráveis, numa calma apenas possivel durante um sono sem sonhos. Durante o sono atingimos a calma libertadora, regressamos ao pó que fomos e seremos novamente, nada existe em nosso redor pois não temos a consciência da sua existência. O momento em que perdemos a penugem que nos protegia do frio.
É no nosso momento de maior vulnerabilidade, quando desconhecemos tudo o que nos rodeia que encontramos felicidade.
Friday, March 05, 2004
Numa tarde soalheira como a de hoje...
e na falta de outra companhia, (que não melhor) decidi ir beber uma café ali á Brasileira. Espanto-me sempre com a diversidade morfológica de seres humanos que encontro pelo caminho, embora cheire neles uma certa falta de... bem... falta-lhes quase tudo tudo, excepto banalidade, que, essa sim, daria para encher um estádio de futebol (ou vários).
Decido-me pela melhor mesa da esplanada... a única que está livre. À minha frente está um espécime particularmente interessante. Um neo-hippie (como é fácil classificar humanos) com cerca de 30 anos. Barba comprida à Rabi (ou à Mulah), e cabelo à Jim Morrisson. O empregado não se despacha, está mais preocupado em atender os pedidos de toda a gente ao invés de ser eficiente. Um pormenor, torna o quadro mais interessante. O que seria um indigente, não fossem os modos calmos e educados (um Buda saído do Tallon), tinha uma T-shirt relativa ao último albúm do Legendary Tiger Man… interessante. Começo a impacientar-me com a azáfama caótica do empregado quando ele se dirige à mesa. Um café, se faz favor… E o Hippie move a cabeça ligeiramente em sinal de cumprimento… pelos modos diria que era um filho de papá rico, que desperdiça (?) o dinheiro e a educação dada pelo pai divagando pelo mundo explorando o interior dele próprio numa atitude vagamente anarco-nietzschiana. Respondi com um aceno e ele olhou para cadeira vazia da mesa… acedi ao convite.
Boa tarde. “Não me reconheces?”… “imagina-me com uns pregos nos pulsos e uma coroa de espinhos” ahhh… tu também és rei! Eu sou o último Rei Mouro, e tu o rei, que nunca chegou a ser, dos judeus.
“O seu café” “Marx! Velho camarada de luta! Está por aqui? A trabalhar?!” (Marx? Camarada? Groucho Marx?) “è a vida! O Engels não me dá mais guarida (e não há vagas no Mac)” “O gajo tem ciúmes. Dá-te abrigo e comida.Ajuda-te a construir uma teoria, ou melhor, a reformular a minha teoria de modelo social, e depois... à o marxismo-leninismo, as teorias de Marx, e ele fica destinado a ser recordado como ao gajo que te mantinha, enquanto tu teorizavas, numa certa relação de proxenetismo/prostituição intelectual” “se o povo me recorda lá terá as suas razões...” “o povo! Tu sempre foste um menino rico, e as tuas teorias serviram para exorcisar a os teus problemas em lidar com o capital do teu pai. O socialismo utópico é apenas uma esmola intelectual” “para quem se advoga o primeiro autor desta teoria estás a ser um bom advogado do diabo. De menino prodigio para os Rabis, foste carpinteiro, indigente e mártir. Noto uma certa falta de coragem em assumir a tua verdadeira ambição” “eu estive entre os pobres e os excluídos para os conhecer melhor” “és um animal político! Os excluídos sempre foram o melhor campo de recrutamento para qualquer pseudo-seita poltica...”
Bom, começo a achar que tanta discussão, e este encontro é mais do que uma coincidência. “ tens razão...” ”precisamos de falar contigo...” “é verdade que vasi comprar um casal de humanos?” bom... deus não mos dá, o pai daqui do jeóva é um forreta, e vou ter de os comprar. Que tem vocês que ver com isso? “não faças isso!” “a amnutenção é cara...” “e eles podem começar a adorar-te...” “como nos adoram a nós...” “...e mudam o sentido da nossa mensagem...” “... e vivem as suas vidas em função de quererem ser ou não como nós...” mas isso é vos fez perder! Confessem. O desejo de adoração esteve sempre presente no vosso subonsciente... a necessidade de discipulos... e a vossa moral, os vossos códigos de conduta, o vosso desejo de evangelização... “tu também és um de nós!” “um profeta” “um pensador livre” eu sou um pensador livre. Livre para ser amoral, parábolas sem final, sem conclusões, não quero indicar direções sociais ou politícas. A verdadeira liberdade começou quando deixei de seguir e de ter seguidores. Quando a aranha perdeu a teia. Não pretendo salvar os humanos, nem que eles caminhem para o abismo (eventualmente isso acontecerá sem a minha intervenção). Pretendo estudá-los, observá-los, dissecar os seu comportamentos e emoções, e apontar tudo para memória futura. “não vais ser capaz...” “há-de chegar o dia em que serás como nós...” “e tentarás iniciar o teu próprio movimento social...” “ou matarás os teus humanos com quem sacrifica um cão doente em final de vida...” “ou tirarás conclusões das tuas observações” “e nesse dia serás um humano com tiques de filosófo da tanga” “ou já o és?” o facto aqui é que eu vou mesmo comprar um casal de seres humanos!
E agora? Jeóva, és o mais graduado de nós, que sugeres? “tu que és o rei, tu é que vais pagar, tu é que decides” sou rei sem reinado, o Marx é que trabalha“ ”eu digo, vamos aproveitar enqunto estamos mortos” ”vamos ao paquiderme branco. Há por lá umas almas que devem favores”
e na falta de outra companhia, (que não melhor) decidi ir beber uma café ali á Brasileira. Espanto-me sempre com a diversidade morfológica de seres humanos que encontro pelo caminho, embora cheire neles uma certa falta de... bem... falta-lhes quase tudo tudo, excepto banalidade, que, essa sim, daria para encher um estádio de futebol (ou vários).
Decido-me pela melhor mesa da esplanada... a única que está livre. À minha frente está um espécime particularmente interessante. Um neo-hippie (como é fácil classificar humanos) com cerca de 30 anos. Barba comprida à Rabi (ou à Mulah), e cabelo à Jim Morrisson. O empregado não se despacha, está mais preocupado em atender os pedidos de toda a gente ao invés de ser eficiente. Um pormenor, torna o quadro mais interessante. O que seria um indigente, não fossem os modos calmos e educados (um Buda saído do Tallon), tinha uma T-shirt relativa ao último albúm do Legendary Tiger Man… interessante. Começo a impacientar-me com a azáfama caótica do empregado quando ele se dirige à mesa. Um café, se faz favor… E o Hippie move a cabeça ligeiramente em sinal de cumprimento… pelos modos diria que era um filho de papá rico, que desperdiça (?) o dinheiro e a educação dada pelo pai divagando pelo mundo explorando o interior dele próprio numa atitude vagamente anarco-nietzschiana. Respondi com um aceno e ele olhou para cadeira vazia da mesa… acedi ao convite.
Boa tarde. “Não me reconheces?”… “imagina-me com uns pregos nos pulsos e uma coroa de espinhos” ahhh… tu também és rei! Eu sou o último Rei Mouro, e tu o rei, que nunca chegou a ser, dos judeus.
“O seu café” “Marx! Velho camarada de luta! Está por aqui? A trabalhar?!” (Marx? Camarada? Groucho Marx?) “è a vida! O Engels não me dá mais guarida (e não há vagas no Mac)” “O gajo tem ciúmes. Dá-te abrigo e comida.Ajuda-te a construir uma teoria, ou melhor, a reformular a minha teoria de modelo social, e depois... à o marxismo-leninismo, as teorias de Marx, e ele fica destinado a ser recordado como ao gajo que te mantinha, enquanto tu teorizavas, numa certa relação de proxenetismo/prostituição intelectual” “se o povo me recorda lá terá as suas razões...” “o povo! Tu sempre foste um menino rico, e as tuas teorias serviram para exorcisar a os teus problemas em lidar com o capital do teu pai. O socialismo utópico é apenas uma esmola intelectual” “para quem se advoga o primeiro autor desta teoria estás a ser um bom advogado do diabo. De menino prodigio para os Rabis, foste carpinteiro, indigente e mártir. Noto uma certa falta de coragem em assumir a tua verdadeira ambição” “eu estive entre os pobres e os excluídos para os conhecer melhor” “és um animal político! Os excluídos sempre foram o melhor campo de recrutamento para qualquer pseudo-seita poltica...”
Bom, começo a achar que tanta discussão, e este encontro é mais do que uma coincidência. “ tens razão...” ”precisamos de falar contigo...” “é verdade que vasi comprar um casal de humanos?” bom... deus não mos dá, o pai daqui do jeóva é um forreta, e vou ter de os comprar. Que tem vocês que ver com isso? “não faças isso!” “a amnutenção é cara...” “e eles podem começar a adorar-te...” “como nos adoram a nós...” “...e mudam o sentido da nossa mensagem...” “... e vivem as suas vidas em função de quererem ser ou não como nós...” mas isso é vos fez perder! Confessem. O desejo de adoração esteve sempre presente no vosso subonsciente... a necessidade de discipulos... e a vossa moral, os vossos códigos de conduta, o vosso desejo de evangelização... “tu também és um de nós!” “um profeta” “um pensador livre” eu sou um pensador livre. Livre para ser amoral, parábolas sem final, sem conclusões, não quero indicar direções sociais ou politícas. A verdadeira liberdade começou quando deixei de seguir e de ter seguidores. Quando a aranha perdeu a teia. Não pretendo salvar os humanos, nem que eles caminhem para o abismo (eventualmente isso acontecerá sem a minha intervenção). Pretendo estudá-los, observá-los, dissecar os seu comportamentos e emoções, e apontar tudo para memória futura. “não vais ser capaz...” “há-de chegar o dia em que serás como nós...” “e tentarás iniciar o teu próprio movimento social...” “ou matarás os teus humanos com quem sacrifica um cão doente em final de vida...” “ou tirarás conclusões das tuas observações” “e nesse dia serás um humano com tiques de filosófo da tanga” “ou já o és?” o facto aqui é que eu vou mesmo comprar um casal de seres humanos!
E agora? Jeóva, és o mais graduado de nós, que sugeres? “tu que és o rei, tu é que vais pagar, tu é que decides” sou rei sem reinado, o Marx é que trabalha“ ”eu digo, vamos aproveitar enqunto estamos mortos” ”vamos ao paquiderme branco. Há por lá umas almas que devem favores”
Sunday, February 29, 2004
Á uns dias tive um sonho.
Não costumo sonhar, mas ultimamente este cenário tem-se repetido. A parte chata é que depois dos sonhos não consigo dormir, e até os mortos precisam de descanso… “descanse em paz... Paz eterna á sua alma” sempre fazem algum sentido. O não dormir não se deverá ao conteúdo do sonho em si, pois “…for there is nothing either god or bad, but thinking makes it so…”, William S. disse-o (entre duas passas) e com razão.
No meu último sonho vagueava num pinhal… ou melhor descia vertiginosamente de bicicleta, até começar a subir uma colina, ou pequeno monte, já a pé (até nos sonhos sou comodista). E enquanto caminhava, discutia comigo próprio (sou a minha melhor companhia) a razão da existência de “ambientalistas”, particularmente dos radicais, e se não necessitariam eles da falta de zelo dos outros humanos para terem uma razão para existir, da mesma forma que as religiões precisam de infiéis (o que seria da fé se não tivesse existido antes a ausência dela). Subitamente (e já estava quase a alcançar o topo do monte) começa a correr água, vinda do nada, ou de um lugar que eu não distingo, que é equivalente ao nada, na nossa visão egocêntrica. E como o caudal aumenta com grande velocidade penso em descer o monte… não! Assim ficaria numa zona baixa e afogar-me-ia certamente. Corro para alcançar o cimo do monte rapidamente, mas enquanto galgo em largas passadas a água, desequilibro-me e rolo encosta abaixo… mais uma folha seca ao sabor da corrente… E acordo.
Não acordei envolto em suores frios nem molhado como no fim de um sonho erótico. Acordei.
Por entre várias explicações para este sonho, algumas metafísicas, algumas racionais, umas tão más quanto as outras, duas apareceram na minha cabeça. O monte é a uma espécie de escalada profissional que tento fazer, mas que antevejo não conseguir. E a enxurrada traduz toda a minha preocupação, tal como a incerteza do caminho a seguir, será aquilo que eu ainda não sei, mas optimista como sempre, irei rolar docemente colina abaixo. Os ambientalistas estão ali para atrapalhar a interpretação, uma piada das vozinhas que estão dentro da minha cabeça.
E se for a loucura, a vertigem de descobrir o corpo de uma Mulher? O prazer de descobrir ambiciosamente os recantos do seu corpo, os beijos e carícias ofegantes, a subida lenta e deliciosamente penosa da penetração… o jacto orgásmico que se adivinha e que se pretende prolongar, mas num momento de egoísmo não se retém mas antes se deixa sair violentamente (antes o meu prazer que o de nenhum de nós)… e o receio, a culpa, a queda em desgraça de não proporcionar prazer a quem tanto bem fez por mim… (os ambientalistas são mais uma vez um pormenor À irmãos Cohen)
Belas e plausíveis explicações…
Nessa manhã posterior ao sonho estava com pressa, e tentava ir o mais depressa possível de carro, até que apanhei à minha frente alguém com muito menos pressa. E ainda tive de fazer um pequeno desvio devido ao facto da estrada estar cortada pela companhia de água canalizada. Simultâneamente ouvi na rádio que o governo tinha anunciado uma aumento da separação dos lixos domésticos pelos portugueses em 2003 (comparação com 2002). Um dirigente duma associação ambientalista contestava heroicamente os valores do governo, usando argumentos de estatística (as contas estavam mal feitas segundo a sua opinião). Claro que o dia foi miserável para mim (experimentem dormir 4 horas por dia durante vários dias, e ainda ter sonhos estúpidos), mas no regresso à mouraria caiu sobre o carro uma monumental e abençoada bátega de água. Mais um dia banal.
Esta explicação pode não ser mais poética, ou aquela que seduzirá mais os estudiosos dos sonhos e outros sonhadores, mas continuo a pensar que os sonhos são como prostitutas, que existem para satisfazer os nossos desejos mais escondidos, mesmo aqueles que ainda não conhecemos.
Não costumo sonhar, mas ultimamente este cenário tem-se repetido. A parte chata é que depois dos sonhos não consigo dormir, e até os mortos precisam de descanso… “descanse em paz... Paz eterna á sua alma” sempre fazem algum sentido. O não dormir não se deverá ao conteúdo do sonho em si, pois “…for there is nothing either god or bad, but thinking makes it so…”, William S. disse-o (entre duas passas) e com razão.
No meu último sonho vagueava num pinhal… ou melhor descia vertiginosamente de bicicleta, até começar a subir uma colina, ou pequeno monte, já a pé (até nos sonhos sou comodista). E enquanto caminhava, discutia comigo próprio (sou a minha melhor companhia) a razão da existência de “ambientalistas”, particularmente dos radicais, e se não necessitariam eles da falta de zelo dos outros humanos para terem uma razão para existir, da mesma forma que as religiões precisam de infiéis (o que seria da fé se não tivesse existido antes a ausência dela). Subitamente (e já estava quase a alcançar o topo do monte) começa a correr água, vinda do nada, ou de um lugar que eu não distingo, que é equivalente ao nada, na nossa visão egocêntrica. E como o caudal aumenta com grande velocidade penso em descer o monte… não! Assim ficaria numa zona baixa e afogar-me-ia certamente. Corro para alcançar o cimo do monte rapidamente, mas enquanto galgo em largas passadas a água, desequilibro-me e rolo encosta abaixo… mais uma folha seca ao sabor da corrente… E acordo.
Não acordei envolto em suores frios nem molhado como no fim de um sonho erótico. Acordei.
Por entre várias explicações para este sonho, algumas metafísicas, algumas racionais, umas tão más quanto as outras, duas apareceram na minha cabeça. O monte é a uma espécie de escalada profissional que tento fazer, mas que antevejo não conseguir. E a enxurrada traduz toda a minha preocupação, tal como a incerteza do caminho a seguir, será aquilo que eu ainda não sei, mas optimista como sempre, irei rolar docemente colina abaixo. Os ambientalistas estão ali para atrapalhar a interpretação, uma piada das vozinhas que estão dentro da minha cabeça.
E se for a loucura, a vertigem de descobrir o corpo de uma Mulher? O prazer de descobrir ambiciosamente os recantos do seu corpo, os beijos e carícias ofegantes, a subida lenta e deliciosamente penosa da penetração… o jacto orgásmico que se adivinha e que se pretende prolongar, mas num momento de egoísmo não se retém mas antes se deixa sair violentamente (antes o meu prazer que o de nenhum de nós)… e o receio, a culpa, a queda em desgraça de não proporcionar prazer a quem tanto bem fez por mim… (os ambientalistas são mais uma vez um pormenor À irmãos Cohen)
Belas e plausíveis explicações…
Nessa manhã posterior ao sonho estava com pressa, e tentava ir o mais depressa possível de carro, até que apanhei à minha frente alguém com muito menos pressa. E ainda tive de fazer um pequeno desvio devido ao facto da estrada estar cortada pela companhia de água canalizada. Simultâneamente ouvi na rádio que o governo tinha anunciado uma aumento da separação dos lixos domésticos pelos portugueses em 2003 (comparação com 2002). Um dirigente duma associação ambientalista contestava heroicamente os valores do governo, usando argumentos de estatística (as contas estavam mal feitas segundo a sua opinião). Claro que o dia foi miserável para mim (experimentem dormir 4 horas por dia durante vários dias, e ainda ter sonhos estúpidos), mas no regresso à mouraria caiu sobre o carro uma monumental e abençoada bátega de água. Mais um dia banal.
Esta explicação pode não ser mais poética, ou aquela que seduzirá mais os estudiosos dos sonhos e outros sonhadores, mas continuo a pensar que os sonhos são como prostitutas, que existem para satisfazer os nossos desejos mais escondidos, mesmo aqueles que ainda não conhecemos.
Tuesday, February 24, 2004
Eu vi um morto
Talvez por ser um dia tão importante para a cultura ocidental, neste dia festivo de carnaval, passou por mim um carro fúnebre. Não sei se conteria um morto no interior, mas pouco me importa. Ou melhor, estou a imaginar o gozo dele a observar-nos caricaturados de pessoas, ébrios de emoção, a pulular ao som de batidas repetitivas e letras de escola primária, felizes e contentes por sermos humanos. Enquanto que ele do alto da sua sabedoria de morto, no s comtempla fascinado.
Será que também era assim? Com podia ser tão fútil! Não deveria ter morrido. Quero ressussitar para sofrer a dor de saber o que sou, apenas mais um ser humano. Morrer parece-me agora uma benesse divina, um saber não merecido (copiei no teste e passei) tudo menos um qualquer castigo por ter sido, ou ter deixado de ser, algo em vida.
Assim pensará o morto. Assim pensou o Mouro quando morreu. Mas o Mouro ainda existe para sentir a dor de saber quem é.
E vagueio pela cidade...
Na cidade vazia, é mais fácil notar toda a sua beleza e envolvência emocional. Ficamos com espaço para nós e para os nossos pensamentos. O vazio que se sente é um estímulo incrivel. Mas também é mais fácil notar a mancha no casaco branco do que no cachecol garrido. Foi assim que eu vi um morto. É ainda um vagabundo, um indigente, que berra uma qualquer canção, efeitos secindários do delirium tremens, ou apenas loucura. Este homem está morto e ainda não o sabe.
Ao pensar nele não me passa pela cabeça nenhum sentimento de revolta pela injustiça da vida, nem me sinto culpado pela desgraça que o levou aquele estado. Não conheço o seu passado. Também não quero nem vou mexer uma palha para aliviar o seu sofrimento (não possuo armas de fogo ou outras). Não sei se ele é assim porque quer.
A única coisa que me ocorre, é a forma como a miséria humana salta mais á vista quando a cidade está vazia, e os homens do lixo estão de férias.
Talvez por ser um dia tão importante para a cultura ocidental, neste dia festivo de carnaval, passou por mim um carro fúnebre. Não sei se conteria um morto no interior, mas pouco me importa. Ou melhor, estou a imaginar o gozo dele a observar-nos caricaturados de pessoas, ébrios de emoção, a pulular ao som de batidas repetitivas e letras de escola primária, felizes e contentes por sermos humanos. Enquanto que ele do alto da sua sabedoria de morto, no s comtempla fascinado.
Será que também era assim? Com podia ser tão fútil! Não deveria ter morrido. Quero ressussitar para sofrer a dor de saber o que sou, apenas mais um ser humano. Morrer parece-me agora uma benesse divina, um saber não merecido (copiei no teste e passei) tudo menos um qualquer castigo por ter sido, ou ter deixado de ser, algo em vida.
Assim pensará o morto. Assim pensou o Mouro quando morreu. Mas o Mouro ainda existe para sentir a dor de saber quem é.
E vagueio pela cidade...
Na cidade vazia, é mais fácil notar toda a sua beleza e envolvência emocional. Ficamos com espaço para nós e para os nossos pensamentos. O vazio que se sente é um estímulo incrivel. Mas também é mais fácil notar a mancha no casaco branco do que no cachecol garrido. Foi assim que eu vi um morto. É ainda um vagabundo, um indigente, que berra uma qualquer canção, efeitos secindários do delirium tremens, ou apenas loucura. Este homem está morto e ainda não o sabe.
Ao pensar nele não me passa pela cabeça nenhum sentimento de revolta pela injustiça da vida, nem me sinto culpado pela desgraça que o levou aquele estado. Não conheço o seu passado. Também não quero nem vou mexer uma palha para aliviar o seu sofrimento (não possuo armas de fogo ou outras). Não sei se ele é assim porque quer.
A única coisa que me ocorre, é a forma como a miséria humana salta mais á vista quando a cidade está vazia, e os homens do lixo estão de férias.
Monday, February 23, 2004
Eu sou um pato...
Qua, qua…
E grasno… qua, qua…
Ali em baixo estão os caçadores… deixa-me fugir, qua, qua… mas o que é que eu fiz?! Como me descobriram? Sou tão silencioso… qua, qua… não disparem que eu não vou faço mal... qua, qua…
Ó mãe! Olha o patinho tão bonito! Deixa-me levá-lo para casa! Tão bonitinho… mas está ferido! Espero que não seja como naquela estória estúpida e ele se transforme em cisne! Os cisnes não fazem bons guisados, pois não mãe? Daqui a uns meses se o alimentarmos bem dará uma refeição… humm… vinhos de alho e arroz dos chinocas. Vamos levá-lo mãe!
Eu sou um pato.
Sigo na frente do bando apenas porque grasno mais do que o outros. Sigo sem vontade própria sempre para sul, apenas porque a natureza assim mo ordena. Quero ficar no meio do bando, para ser mais facilmente atingido pelos caçadores. E ser erguido como troféu de masculinadade, “o meu é mais pesado do que o teu” “mas atiras-te ao bando maior, logo, a probabilidade de atingires mais e maiores é superior minha, que apenas atinjo o que me interessa” “isso torna-te tão pato como o que ergo na minha mão” “eu como o que caço” “eu como antes de vir caçar”.
Eu sou um pato... qua... qua...
E todos os anos voo para sul, e volto para o sul que já foi norte. Sempre á procura do calor, sigo cegamente as estações do ano, para me encontrar irremediavelmente frio e a querer partir de novo. Já tentei ficar num único local durante todo o ano, e resisti estóicamente no ninho, suportando o frio e o vento, até me dessensibiliza,r e qual homem da caverna de platão, assumir que o frio é apenas pouco calor e é todo o que necessito! Até chegar a primavera e lembrar-me afinal o calor é mais do que um coneito fisico. O calor é a minha anfetamina, o que faz voar milhares de kilometros para negociar com o meu farmacêutico favorito...
Eu sou um pato, qua... qua...
está na minha natureza voltar e partir, mesmo sabendo todos os perigos que daí advém, e caio em todas as armadilhas, sigo hipnotizado todos os assobios dos caçadores.
Eu começo a ficar farto da sazonalidade das minhas emoções.
Qua, qua…
E grasno… qua, qua…
Ali em baixo estão os caçadores… deixa-me fugir, qua, qua… mas o que é que eu fiz?! Como me descobriram? Sou tão silencioso… qua, qua… não disparem que eu não vou faço mal... qua, qua…
Ó mãe! Olha o patinho tão bonito! Deixa-me levá-lo para casa! Tão bonitinho… mas está ferido! Espero que não seja como naquela estória estúpida e ele se transforme em cisne! Os cisnes não fazem bons guisados, pois não mãe? Daqui a uns meses se o alimentarmos bem dará uma refeição… humm… vinhos de alho e arroz dos chinocas. Vamos levá-lo mãe!
Eu sou um pato.
Sigo na frente do bando apenas porque grasno mais do que o outros. Sigo sem vontade própria sempre para sul, apenas porque a natureza assim mo ordena. Quero ficar no meio do bando, para ser mais facilmente atingido pelos caçadores. E ser erguido como troféu de masculinadade, “o meu é mais pesado do que o teu” “mas atiras-te ao bando maior, logo, a probabilidade de atingires mais e maiores é superior minha, que apenas atinjo o que me interessa” “isso torna-te tão pato como o que ergo na minha mão” “eu como o que caço” “eu como antes de vir caçar”.
Eu sou um pato... qua... qua...
E todos os anos voo para sul, e volto para o sul que já foi norte. Sempre á procura do calor, sigo cegamente as estações do ano, para me encontrar irremediavelmente frio e a querer partir de novo. Já tentei ficar num único local durante todo o ano, e resisti estóicamente no ninho, suportando o frio e o vento, até me dessensibiliza,r e qual homem da caverna de platão, assumir que o frio é apenas pouco calor e é todo o que necessito! Até chegar a primavera e lembrar-me afinal o calor é mais do que um coneito fisico. O calor é a minha anfetamina, o que faz voar milhares de kilometros para negociar com o meu farmacêutico favorito...
Eu sou um pato, qua... qua...
está na minha natureza voltar e partir, mesmo sabendo todos os perigos que daí advém, e caio em todas as armadilhas, sigo hipnotizado todos os assobios dos caçadores.
Eu começo a ficar farto da sazonalidade das minhas emoções.
Sunday, February 15, 2004
God is in the house...
Está cá Deus?!? Mas … who the fuck is God?!
È aquele de barbas brancas, com um copo de sumo na mão? Deiam-me sumo daquele! Já viste o olhar contente e quase alucinado dele? Tem estado a meter vodka no sumo… Pode ser Deus, mas não é parvo de certeza.
Apresenta-mo.
Estás bom? Sim, eu sou o Mouro que gostaria de ter um casal de seres humanos lá em casa. Achas que é muito difícil mantê-los? O barulho do sexo não me incomoda, desde que não procriem. Sempre são mais bocas para alimentar depois.
Tens de me dizer como consegues ser o mesmo Deus de três religiões diferentes, o que significa que tens muitos seres humanos por tua conta, e mesmo assim permites que eles se degladiem entre si ciclicamente… Humm, percebo. Razões financeiras… quantos mais, maiores os gastos de manutenção.
E no entanto o teu poder advém do número de humanos que te prestam culto, ou pelo menos, acreditam em ti, não? Se deixas que se matem, não começará a balança a pender em favor de outros Deuses? Não é apenas uma questão de número mas de qualidade… ou seja, o culto de um fanático vale mais do que 10 que acreditam mas não vão à missa. Gosto da tua maneira de pensar.
Sim, tens razão… estou muito interessado nas regras dos Deuses. Uma vez que vou criar uma civilização lá em casa, estou prestes a entrar no clube… e espero que seja pela porta grande. Claro que vou proibir livros na jaula. Não quero que os meus humanos acreditem em falsos ídolos… e vou não os vou deixara criar televisão, ou outras formas de entretenimento. Vão ter como solução única para matar o tempo (pelo menos até começarem uma guerra entre eles) o Sexo! Faz bem à pele e tudo.
E aquelas coisas das criancinhas a morrer de fome não te incomoda? Tão mirradinhas, coitadas. Fazem-me lembrar uns figuitos passados… ou então as passas do Bolo-rei. Sabe mesmo bem no Natal. Também te parecem isso?! Ainda bem, por momentos pensei que estivesse a ficar louco. E se morrerem que se lixe. Afinal de contas iriam consumir demasiado oxigénio necessário aos que prestam culto. E são alimento para a terra. Nada se cria, nada se perde tudo se transforma! (este não chegou a ser queimado pois não?)
Não me digas que discordas-te do circo da inquisição!?!? Deu-te má reputação? Não ligues aos media… eles fatram-se de queimar pessoas por menos. E aquilo é que era um espectáculo de pirotecnia à séria! E os gajos queriam explicar coisas que só explicáveis pelo teu poder e vontade! Morram queimados! Ciência… pfui… só a teologia merece esse nome.
Afinal vou conceder um livro aos meus humanos. Vai ser uma antologia daquilo que escrevo. Vai ser porreiro ver as más interpretações que irão fazer das minhas palavras. Melhor! Já os vejo a ver leis onde existem pensamentos, e a levar à letra cada frase, cada momento de neurose minha. Vou piorar-lhes as coisas escrevendo as minhas alucinações e os meus momentos de esquizofrenia. Um dia destes escrevo acerca do dia em vi paraquedistas a descer dos céus com lança-chamas, ao som de Mozart e Iron Maiden. Foi nesse dia que deixei de beber chá de cogumelos após as refeições. Passei para o absinto puro… Vou deixar que as vozinhas na minha cabeça tomem conta de mim e escrevam o livro…
Não me deixas ter um casal de humanos? Então porquê? Eu prometo que não os mato! Deixa!
Sabes bem que é o último passo antes da ascensão ao nível seguinte… já fui Anjo e Diabo. E que diabo! Descobri que afinal não são muito diferentes. Estão apenas em estádio de evolução diferentes. Os Diabos já sabem o que querem, e os Anjos, querem-no sem o saber. E descobri estou a descobrir que sou quase Super-Homem… Nem que para isso tenha de morrer. Não aceito o lugar de teu acessor! Não quero ser uma criatura de Deus, ou dele derivada, quando posso ser Deus e criar criaturas. Não faz parte das minhas preferências sexuais ficar de cócoras!
Gostei de te conhecer. Eu pago-te um desses “sumos” quando entrar no clube. Podes dar-me o endereço da loja onde compras-te o teu primeiro casal de humanos?
Não podemos ver as coisas as preto e branco… nem em gradientes de cinzento, afinal não somos cães. O mundo é cor de rosa choque e azul bebé.
Está cá Deus?!? Mas … who the fuck is God?!
È aquele de barbas brancas, com um copo de sumo na mão? Deiam-me sumo daquele! Já viste o olhar contente e quase alucinado dele? Tem estado a meter vodka no sumo… Pode ser Deus, mas não é parvo de certeza.
Apresenta-mo.
Estás bom? Sim, eu sou o Mouro que gostaria de ter um casal de seres humanos lá em casa. Achas que é muito difícil mantê-los? O barulho do sexo não me incomoda, desde que não procriem. Sempre são mais bocas para alimentar depois.
Tens de me dizer como consegues ser o mesmo Deus de três religiões diferentes, o que significa que tens muitos seres humanos por tua conta, e mesmo assim permites que eles se degladiem entre si ciclicamente… Humm, percebo. Razões financeiras… quantos mais, maiores os gastos de manutenção.
E no entanto o teu poder advém do número de humanos que te prestam culto, ou pelo menos, acreditam em ti, não? Se deixas que se matem, não começará a balança a pender em favor de outros Deuses? Não é apenas uma questão de número mas de qualidade… ou seja, o culto de um fanático vale mais do que 10 que acreditam mas não vão à missa. Gosto da tua maneira de pensar.
Sim, tens razão… estou muito interessado nas regras dos Deuses. Uma vez que vou criar uma civilização lá em casa, estou prestes a entrar no clube… e espero que seja pela porta grande. Claro que vou proibir livros na jaula. Não quero que os meus humanos acreditem em falsos ídolos… e vou não os vou deixara criar televisão, ou outras formas de entretenimento. Vão ter como solução única para matar o tempo (pelo menos até começarem uma guerra entre eles) o Sexo! Faz bem à pele e tudo.
E aquelas coisas das criancinhas a morrer de fome não te incomoda? Tão mirradinhas, coitadas. Fazem-me lembrar uns figuitos passados… ou então as passas do Bolo-rei. Sabe mesmo bem no Natal. Também te parecem isso?! Ainda bem, por momentos pensei que estivesse a ficar louco. E se morrerem que se lixe. Afinal de contas iriam consumir demasiado oxigénio necessário aos que prestam culto. E são alimento para a terra. Nada se cria, nada se perde tudo se transforma! (este não chegou a ser queimado pois não?)
Não me digas que discordas-te do circo da inquisição!?!? Deu-te má reputação? Não ligues aos media… eles fatram-se de queimar pessoas por menos. E aquilo é que era um espectáculo de pirotecnia à séria! E os gajos queriam explicar coisas que só explicáveis pelo teu poder e vontade! Morram queimados! Ciência… pfui… só a teologia merece esse nome.
Afinal vou conceder um livro aos meus humanos. Vai ser uma antologia daquilo que escrevo. Vai ser porreiro ver as más interpretações que irão fazer das minhas palavras. Melhor! Já os vejo a ver leis onde existem pensamentos, e a levar à letra cada frase, cada momento de neurose minha. Vou piorar-lhes as coisas escrevendo as minhas alucinações e os meus momentos de esquizofrenia. Um dia destes escrevo acerca do dia em vi paraquedistas a descer dos céus com lança-chamas, ao som de Mozart e Iron Maiden. Foi nesse dia que deixei de beber chá de cogumelos após as refeições. Passei para o absinto puro… Vou deixar que as vozinhas na minha cabeça tomem conta de mim e escrevam o livro…
Não me deixas ter um casal de humanos? Então porquê? Eu prometo que não os mato! Deixa!
Sabes bem que é o último passo antes da ascensão ao nível seguinte… já fui Anjo e Diabo. E que diabo! Descobri que afinal não são muito diferentes. Estão apenas em estádio de evolução diferentes. Os Diabos já sabem o que querem, e os Anjos, querem-no sem o saber. E descobri estou a descobrir que sou quase Super-Homem… Nem que para isso tenha de morrer. Não aceito o lugar de teu acessor! Não quero ser uma criatura de Deus, ou dele derivada, quando posso ser Deus e criar criaturas. Não faz parte das minhas preferências sexuais ficar de cócoras!
Gostei de te conhecer. Eu pago-te um desses “sumos” quando entrar no clube. Podes dar-me o endereço da loja onde compras-te o teu primeiro casal de humanos?
Não podemos ver as coisas as preto e branco… nem em gradientes de cinzento, afinal não somos cães. O mundo é cor de rosa choque e azul bebé.
Friday, February 13, 2004
Olá meninos... (trilogia do amor III)
Hoje vou contar-vos a última estória de amor desta trilogia dedicada ao Santo Valentim!
Esta é a estória de um homem que tinha uma coisa que todos os meninos vão querer quando forem grandes... não Rúben... não é um SLK! (e sei que tu gostas de ser tratado por Rubinho). Bem, se tiveres um SLK talvez não precises do que o sr. tinha.
Este sr. Tinha um pénis grande, bem, não era grande – era enorme!
De que tamanho? Digamos que havia quem dissesse que ele tinha um gato entre as pernas.
Conheci-o, já adulto, num local público, e fomos apresentados por amigos que me contaram depois a estória. Perto dele respirava-se uma paz podre... hummm... este conceito é demasiado complexo para vocês, mas, imagem uma daquelas frutas muito bonitas que estão nos supermercados... provem-na... e não sabe muito bem, pelo menos não tão bem como aqueles do pomar da avó da pitinha. E Rúben, perdão, Rubinho, as maçãs não vem de fábricas, crescem numas árvores que se chamam macieiras... exactamente, têm o mesmo nome da bebida com que o teu pai se emborracha e diz aos amigos que é cognac.
E este senhor, olhado com respeito e admiração (e uma pontinha de inveja) durante toda a sua juventude, pelos outros homens, apaixonou-se. Foi logo pela rapariga mais pretendida da aldeia. Era bonita, espirituosa, prendada.
Não sabes o que é prendada, zita?
Pois bem, prendadas são aquelas mulheres modernas que sabem lavar a louça, passar a ferro e até cozinham.
E ela também se apaixonou... por ele. E como há coisas que nunca mudam, os dois noivaram, mas sempre sem contacto sexual. Até à vespera do casamento!
Nessa noite resolveram fugir, para que ela se iniciasse na vida sexual antes do casamento. Tal como a tua mãe Rubinho, só que ela iniciou-se antes de cada casamento para o qual era convidada após os 14 anos.
Continuando a estória....
Encontraram-se ás escondidas e quando ele se despiu para dar início à cópula... a rapariga quase desfaleceu. “tás parvo! Achas que algum dia eu ia ter isso dentro de mim! Mais vale ir ter com o Conde Vlad para ele me empalar!” “Mas, amor... nós vamos casar... e mesmo que não queiras fazê-lo agora, vamos ter de fazê-lo quando formos marido e mulher... faz parte do contrato!” “se houver casamento” “não me faças isso... eu gosto muito de ti” “eu também... mas porra... não podias ter um pénis mais pequeno?” “eu sempre achei que fosse uma dádiva de Deus... todos os meus amigos me invejam esta sorte” “então vai sodomizá-los! A mim essa coisa não me toca... adeus... o noivado está terminado”
Devem imaginar o desespero do sr.! com uma erecção do tamanho de um bébé, e sem uma mulher a quem dá-la! E sim... o coração dele ficou despedaçado.
E tentou de tudo para a reaver a sua amada. Falou com os pais, prometeu mundos e fundos (principalmente fundos), pediu ao padre para interceder em seu auxilio, pois amor daquele tamanho jamais se viu na vila. Nada resultou.
Ela embora o amasse até á loucura, sentia-se incapaz de o ajudar. Quanto mais via quanto o amor dele era verdadeiro, mais intensas eram os sonhos e as visões do pénis, fustigando-a nas costas como um chicote que faz amor nas costas de um escravo. E manteve-se irredutivel na sua decisão. Não casaria com aquele pénis!
Como naqueles tempos o pais estava em guerra, nas colónias africanas, o sr. teve de ir para lá combater pela pátria. Ò Mutumbo, fica aí caladito no canto que eu não falei para ti... O sr. era um homem bondoso e foi acabar com a sobrepopulação que havia em àfrica! O que é achas que ele lá foi fazer?!?
A sua personalidade já combalida pela perda a mulher amada, ficou ainda mais amargurada com os horrores da guerra. Felizmente para o sr. a anatomia peniana dos homens africanos era muito semelhante à sua, e as mulheres aceitavam-no de bom grado...
Por momentos (o tempo de um orgasmo) ele foi feliz, mas não lhe sai da cabeça a amada. E deixou tudo em áfrica, uma mulher, um rancho de garotos e até uma quinta com ovelhas, para vir, mais uma vez, tentar conquistar a amada!
Mas quando cá chegou... já o Salazar tinha caído da cadeira. E já a amada era amada mas por outro, que a tinha desposado. E tinham filhos (= a tinham feito sexo).
E ele enlouqueceu....passou-se da cabeça.... quis matar toda a gente... a amada, o marido da amada, o filho deles, todos!!!
Mas não o fez.
Agora vagueia por aí sozinho, armado segundo dizem, a recordar a mulher amada em confidências com os amigos, e á procura de rameiras que satizfaçam o seu pénis.
Como acaba a estória Rubinho? Já acabou, ou melhor, pode ser que ainda haja mortes, mas tudo o que eu dissesse a mais seria especular, e eu deixo isso para a tua mãe. Afinal ela é que é jornalista. Eu só conto estórias.
E como trabalho de casa quero que amanhã os meninos e as meninas me digam, depois de pensar, qual ou quais as coisas que as três estórinhas felizes de amor têm em comum. E eu vou dar um chocolate a quem tiver a resposta acertada, e outro, a quem tiver a resposta mais criativa.
Bom dia dos namorados!!!! E lembrem-se sempre que ainda há guerra no burundi, no zaire, congo, afeganistão, iraque....
Hoje vou contar-vos a última estória de amor desta trilogia dedicada ao Santo Valentim!
Esta é a estória de um homem que tinha uma coisa que todos os meninos vão querer quando forem grandes... não Rúben... não é um SLK! (e sei que tu gostas de ser tratado por Rubinho). Bem, se tiveres um SLK talvez não precises do que o sr. tinha.
Este sr. Tinha um pénis grande, bem, não era grande – era enorme!
De que tamanho? Digamos que havia quem dissesse que ele tinha um gato entre as pernas.
Conheci-o, já adulto, num local público, e fomos apresentados por amigos que me contaram depois a estória. Perto dele respirava-se uma paz podre... hummm... este conceito é demasiado complexo para vocês, mas, imagem uma daquelas frutas muito bonitas que estão nos supermercados... provem-na... e não sabe muito bem, pelo menos não tão bem como aqueles do pomar da avó da pitinha. E Rúben, perdão, Rubinho, as maçãs não vem de fábricas, crescem numas árvores que se chamam macieiras... exactamente, têm o mesmo nome da bebida com que o teu pai se emborracha e diz aos amigos que é cognac.
E este senhor, olhado com respeito e admiração (e uma pontinha de inveja) durante toda a sua juventude, pelos outros homens, apaixonou-se. Foi logo pela rapariga mais pretendida da aldeia. Era bonita, espirituosa, prendada.
Não sabes o que é prendada, zita?
Pois bem, prendadas são aquelas mulheres modernas que sabem lavar a louça, passar a ferro e até cozinham.
E ela também se apaixonou... por ele. E como há coisas que nunca mudam, os dois noivaram, mas sempre sem contacto sexual. Até à vespera do casamento!
Nessa noite resolveram fugir, para que ela se iniciasse na vida sexual antes do casamento. Tal como a tua mãe Rubinho, só que ela iniciou-se antes de cada casamento para o qual era convidada após os 14 anos.
Continuando a estória....
Encontraram-se ás escondidas e quando ele se despiu para dar início à cópula... a rapariga quase desfaleceu. “tás parvo! Achas que algum dia eu ia ter isso dentro de mim! Mais vale ir ter com o Conde Vlad para ele me empalar!” “Mas, amor... nós vamos casar... e mesmo que não queiras fazê-lo agora, vamos ter de fazê-lo quando formos marido e mulher... faz parte do contrato!” “se houver casamento” “não me faças isso... eu gosto muito de ti” “eu também... mas porra... não podias ter um pénis mais pequeno?” “eu sempre achei que fosse uma dádiva de Deus... todos os meus amigos me invejam esta sorte” “então vai sodomizá-los! A mim essa coisa não me toca... adeus... o noivado está terminado”
Devem imaginar o desespero do sr.! com uma erecção do tamanho de um bébé, e sem uma mulher a quem dá-la! E sim... o coração dele ficou despedaçado.
E tentou de tudo para a reaver a sua amada. Falou com os pais, prometeu mundos e fundos (principalmente fundos), pediu ao padre para interceder em seu auxilio, pois amor daquele tamanho jamais se viu na vila. Nada resultou.
Ela embora o amasse até á loucura, sentia-se incapaz de o ajudar. Quanto mais via quanto o amor dele era verdadeiro, mais intensas eram os sonhos e as visões do pénis, fustigando-a nas costas como um chicote que faz amor nas costas de um escravo. E manteve-se irredutivel na sua decisão. Não casaria com aquele pénis!
Como naqueles tempos o pais estava em guerra, nas colónias africanas, o sr. teve de ir para lá combater pela pátria. Ò Mutumbo, fica aí caladito no canto que eu não falei para ti... O sr. era um homem bondoso e foi acabar com a sobrepopulação que havia em àfrica! O que é achas que ele lá foi fazer?!?
A sua personalidade já combalida pela perda a mulher amada, ficou ainda mais amargurada com os horrores da guerra. Felizmente para o sr. a anatomia peniana dos homens africanos era muito semelhante à sua, e as mulheres aceitavam-no de bom grado...
Por momentos (o tempo de um orgasmo) ele foi feliz, mas não lhe sai da cabeça a amada. E deixou tudo em áfrica, uma mulher, um rancho de garotos e até uma quinta com ovelhas, para vir, mais uma vez, tentar conquistar a amada!
Mas quando cá chegou... já o Salazar tinha caído da cadeira. E já a amada era amada mas por outro, que a tinha desposado. E tinham filhos (= a tinham feito sexo).
E ele enlouqueceu....passou-se da cabeça.... quis matar toda a gente... a amada, o marido da amada, o filho deles, todos!!!
Mas não o fez.
Agora vagueia por aí sozinho, armado segundo dizem, a recordar a mulher amada em confidências com os amigos, e á procura de rameiras que satizfaçam o seu pénis.
Como acaba a estória Rubinho? Já acabou, ou melhor, pode ser que ainda haja mortes, mas tudo o que eu dissesse a mais seria especular, e eu deixo isso para a tua mãe. Afinal ela é que é jornalista. Eu só conto estórias.
E como trabalho de casa quero que amanhã os meninos e as meninas me digam, depois de pensar, qual ou quais as coisas que as três estórinhas felizes de amor têm em comum. E eu vou dar um chocolate a quem tiver a resposta acertada, e outro, a quem tiver a resposta mais criativa.
Bom dia dos namorados!!!! E lembrem-se sempre que ainda há guerra no burundi, no zaire, congo, afeganistão, iraque....
Tuesday, February 10, 2004
Amor platónico com uma Puta! (trilogia do amor II)
Podiam ser qualquer outra coisa. Poderiam ser artistas plásticos, vigaristas, cobradores de impostos, todas as possibilidades de ocupação de tempo útil de vida. Mas escolheram estas actividades. Ele porque quis morrer desta forma, consumido pelo álcool lentamente, num torpor etílico, uma queima das fitas eterna. Ela tinha de ganhar a vida, e aquela actividade pareceu-lhe tão boa como qualquer outra. Se haveria de apanhar porrada do marido e tomar conta dos filhos, inicia na vida sexual adolescentes e é esfaqueada ocasionalmente pelo proxeneta de serviço.
E encontraram-se. Num local que se assemelha ao Reino de Hades, mais polido e com brilho, mas os infernos são todos iguais, só muda o nome e as razões pelas quais lá queremos entrar.
Não interessa como começou a relação entre eles. O que interessa é o pacto por eles estabelecido de modo a que a relação não terminasse. Ele pediu-lhe apenas que ela não lhe pedisse jamais para deixar o álcool. Ela queria apenas que ele a deixa-se prostituir-se. Pouco razoável? Talvez. Mas o objectivo de vida dele era a morte. Devido ao álcool.
E assim viveram durante uns tempos. E foram felizes. Ela ajudava-o nas suas crises de delirium tremens e ele limitava-se a gostar dela. Algumas vezes durante períodos mais arrojados e felizes tentaram fazer sexo, mas nunca resultou. O álcool já estava a surtir efeito, e ele não conseguia sequer ter ou manter uma erecção, por mais que ela se esforçasse. Sem a capacidade reprodutora, ele já não servia de nada para a mãe natureza. Mas servia para a prostituta.
Como acaba esta estória? Como todas as estórias de amor felizes. Ele morre entre convulsões e vómitos, enquanto que ela tenta desesperadamente arrancar-lhe o orgasmo final e impossível.
(sinopse muito livre, e com a minha visão particular do filme “Morrer em Las Vegas”)
Podiam ser qualquer outra coisa. Poderiam ser artistas plásticos, vigaristas, cobradores de impostos, todas as possibilidades de ocupação de tempo útil de vida. Mas escolheram estas actividades. Ele porque quis morrer desta forma, consumido pelo álcool lentamente, num torpor etílico, uma queima das fitas eterna. Ela tinha de ganhar a vida, e aquela actividade pareceu-lhe tão boa como qualquer outra. Se haveria de apanhar porrada do marido e tomar conta dos filhos, inicia na vida sexual adolescentes e é esfaqueada ocasionalmente pelo proxeneta de serviço.
E encontraram-se. Num local que se assemelha ao Reino de Hades, mais polido e com brilho, mas os infernos são todos iguais, só muda o nome e as razões pelas quais lá queremos entrar.
Não interessa como começou a relação entre eles. O que interessa é o pacto por eles estabelecido de modo a que a relação não terminasse. Ele pediu-lhe apenas que ela não lhe pedisse jamais para deixar o álcool. Ela queria apenas que ele a deixa-se prostituir-se. Pouco razoável? Talvez. Mas o objectivo de vida dele era a morte. Devido ao álcool.
E assim viveram durante uns tempos. E foram felizes. Ela ajudava-o nas suas crises de delirium tremens e ele limitava-se a gostar dela. Algumas vezes durante períodos mais arrojados e felizes tentaram fazer sexo, mas nunca resultou. O álcool já estava a surtir efeito, e ele não conseguia sequer ter ou manter uma erecção, por mais que ela se esforçasse. Sem a capacidade reprodutora, ele já não servia de nada para a mãe natureza. Mas servia para a prostituta.
Como acaba esta estória? Como todas as estórias de amor felizes. Ele morre entre convulsões e vómitos, enquanto que ela tenta desesperadamente arrancar-lhe o orgasmo final e impossível.
(sinopse muito livre, e com a minha visão particular do filme “Morrer em Las Vegas”)
Virgem Viúva (trilogia do amor I)
A maria conheceu o josé, e logo se apaixonaram.
O amor que sentiam passou inevitavelmente do plano emocinal para o físico. Ou melhor... passou mas não completamente. Ambos queriam que a união do seu amor fosse completa e total, mas infelizmente a Maria queria casar Virgem.
José, que estava completamente louco, disse que estava bem. Respeitava a decisão da Maria, mas teriam de casar rapidamente.
E assim foi. Uma bela cerimónia com padre e tudo. Familia e amigos, comida e vinho.
No meio da confusão a Maria, ansiosa de tanto esperar e desejosa de finalmente se unir com o homem que amava, pegou numa garrafa de vinho, no José, e foram para cave.
Abraçaram-se por todo o lado, perseguiram-se terna e ansiosamente, beijos, abraços... e caíram no chão...
Ohhhh.... não... NÃO!!!!!!!
O josé caiu em cima de um encinho que ali estava distraído. E esvaiu-se em sangue manchando o branco puro do vestido de noiva.
Hoje a Maria vive infeliz não consumou o seu amor nem sequer sabe o que teria sentido. Pois se um dia foi uma noiva virgem, agora não passa de uma virgem viúva.
(adaptação muito livre de “Virgen bride” dos Morphine, albúm “B-Sides and Otherwise”)
A maria conheceu o josé, e logo se apaixonaram.
O amor que sentiam passou inevitavelmente do plano emocinal para o físico. Ou melhor... passou mas não completamente. Ambos queriam que a união do seu amor fosse completa e total, mas infelizmente a Maria queria casar Virgem.
José, que estava completamente louco, disse que estava bem. Respeitava a decisão da Maria, mas teriam de casar rapidamente.
E assim foi. Uma bela cerimónia com padre e tudo. Familia e amigos, comida e vinho.
No meio da confusão a Maria, ansiosa de tanto esperar e desejosa de finalmente se unir com o homem que amava, pegou numa garrafa de vinho, no José, e foram para cave.
Abraçaram-se por todo o lado, perseguiram-se terna e ansiosamente, beijos, abraços... e caíram no chão...
Ohhhh.... não... NÃO!!!!!!!
O josé caiu em cima de um encinho que ali estava distraído. E esvaiu-se em sangue manchando o branco puro do vestido de noiva.
Hoje a Maria vive infeliz não consumou o seu amor nem sequer sabe o que teria sentido. Pois se um dia foi uma noiva virgem, agora não passa de uma virgem viúva.
(adaptação muito livre de “Virgen bride” dos Morphine, albúm “B-Sides and Otherwise”)
Cardiologia
Fui novamente ao local de peregrinação dos Humanos. E reparei que devia haver uma convenção de cardiologistas tal a quantidade de corações de todos os tamanhos e feitios que se encontravam expostos nos altares. Que ironia. E logo em locais onde se respira sáude e se come comida recomendada pelas melhores Igrejas.
Mas não. Não era uma reunião de cardiolgistas. Esses tinham ido para Trinidade e Tobago onde se faz investigação de topo na área. Os corações deviam-se à comemoração de um feriado religioso: O dia de São Valentim.
Inspirado por este clima de felicidade e vendo os festejos que decorrem no Uganda resolvi escrever algumas pequenas estórias de amor.
Fui novamente ao local de peregrinação dos Humanos. E reparei que devia haver uma convenção de cardiologistas tal a quantidade de corações de todos os tamanhos e feitios que se encontravam expostos nos altares. Que ironia. E logo em locais onde se respira sáude e se come comida recomendada pelas melhores Igrejas.
Mas não. Não era uma reunião de cardiolgistas. Esses tinham ido para Trinidade e Tobago onde se faz investigação de topo na área. Os corações deviam-se à comemoração de um feriado religioso: O dia de São Valentim.
Inspirado por este clima de felicidade e vendo os festejos que decorrem no Uganda resolvi escrever algumas pequenas estórias de amor.
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