Animais
Há uns dias atrás vi documentário na televisao britanica. O assunto era um grupo de defensores de animais que por estes lados podem ser uma mistura de chacais com elefantes, mas raramente porquinhos da india.
Um dos elementos deste grupo confessou que aos 22 anos fez uma vasectomia, para assim se concentrar aexclusivamente na sua missao: o bem-estar de todos os animais deste mundo.
A liberdade é uma coisa muito bonita.
Friday, May 19, 2006
Thursday, April 20, 2006
Christ is dead! Christ has risen! Christ will come again!
Ye right! He will come. Sure. I will sit on a chair to endure the waiting. Better yet: I will build my own chair. Use my head against the nails, and the wood of the church crosses as the raw material.
I will sit on the dock of the bay and watch the tide roll away. Just wasting time while he comes. Just me and my Ms Jones. Maybe he join us in a orgy… I just in the chair watching as he penetrates Ms Jones… and then I will join then in a triple coitus that will create the perfect creature. The Son of God, Men and Amorality.
Yes Christ will come, in a perfect orgasm. Just wait to be covered in is sperm, glued to it. You don’t care. Your movements have always been impaired by is word. It is not such a difference.
Ye right! He will come. Sure. I will sit on a chair to endure the waiting. Better yet: I will build my own chair. Use my head against the nails, and the wood of the church crosses as the raw material.
I will sit on the dock of the bay and watch the tide roll away. Just wasting time while he comes. Just me and my Ms Jones. Maybe he join us in a orgy… I just in the chair watching as he penetrates Ms Jones… and then I will join then in a triple coitus that will create the perfect creature. The Son of God, Men and Amorality.
Yes Christ will come, in a perfect orgasm. Just wait to be covered in is sperm, glued to it. You don’t care. Your movements have always been impaired by is word. It is not such a difference.
Sunday, April 02, 2006
Wednesday, March 22, 2006
Tuesday, March 21, 2006
Espelologia naïf
mas porque que é eu me dicidi tornar espeleologista? Agora estou no escuro vislunbrando apenas luzes que existem na minha imaginacao. Miragens de Oasis luminosos. Está escuro e frio.
Quando entrei todo para dentro da gruta, fi-lo de forma decidida e sem olhar para trás. Mesmo sem saber se iria voltar ao ponto de partida, ou se a expedicao valeria a pena. Gostava de afirmar que era um risco calculado, mas nao foi. E nisso tambem residia a beleza da viagem.
Apenas eu e a minha guia. Pensarão os chauvinistas que explorar as profundezas da terra por entre mil perigos e incertezas está destinado a homens de barba rija desiludidos com a vida. Desenganem-se. Haverá alguém que conheca melhor as entranhas da terra do que as mulheres? Pus-me nas mãos dela, mais experimentada que eu nestas expedições, deixando-me guiar cegamente. Cegamente passou a ser termo pois durante a expedicao as pilhas foram perdidas durante arriscado salto para ultrapassar um abismo. Após o meu salto a minha guia teve medo. Arrependeu-se. Não sei ao certo o que aconteceu, mas ao olhar para o abismo e considerar o risco do salto, tomou uma decisao. Voltar para trás, sair da gruta e deixar-me continuar sózinho a expedição.
De repente fiquei sem luz e sem guia. Poderia ter saltado de volta, mas isso não é nem nunca foi opção para mim. Não entro em algo para desistir a meio. Afinal sou Rei. Como poderia dizer um dias ás minhas tropas para avancar, e só porque havia a possibilidade de derrota do horizonte, manda-los recuar? Após a morte do primeiro homem, não há retorno. O sangue pede sangue.
Não estou arrependido da minha decisão, nem sequer sinto raiva pelo abandono da minha guia. Foi uma sociedade proveitosa enquanto durou. Tenho comigo alguns achados interessantes e valiosos. A ironia é que não sei se algum dia verão a luz do dia, ou a escuridao de um museu.
Agora tateio nas paredes escuras e húmidas da gruta na busca de uma saida. E vejo luzes... que podem ser apenas o brilhar dos olhos de morcegos. Qualquer lampejo me anima.Acalento a esperança de um dia encontrar uma espeleologista perdida e possamos trocar achados, ou se ela tiver consigo pilhas, possamos ter luz para sair da gruta.
Afinal são apenas morcegos. Não faz mal. São uma boa conpanhia. Não me decepcionam Sempre foram aminha fiel companhia desde o inicio da viagem.
mas porque que é eu me dicidi tornar espeleologista? Agora estou no escuro vislunbrando apenas luzes que existem na minha imaginacao. Miragens de Oasis luminosos. Está escuro e frio.
Quando entrei todo para dentro da gruta, fi-lo de forma decidida e sem olhar para trás. Mesmo sem saber se iria voltar ao ponto de partida, ou se a expedicao valeria a pena. Gostava de afirmar que era um risco calculado, mas nao foi. E nisso tambem residia a beleza da viagem.
Apenas eu e a minha guia. Pensarão os chauvinistas que explorar as profundezas da terra por entre mil perigos e incertezas está destinado a homens de barba rija desiludidos com a vida. Desenganem-se. Haverá alguém que conheca melhor as entranhas da terra do que as mulheres? Pus-me nas mãos dela, mais experimentada que eu nestas expedições, deixando-me guiar cegamente. Cegamente passou a ser termo pois durante a expedicao as pilhas foram perdidas durante arriscado salto para ultrapassar um abismo. Após o meu salto a minha guia teve medo. Arrependeu-se. Não sei ao certo o que aconteceu, mas ao olhar para o abismo e considerar o risco do salto, tomou uma decisao. Voltar para trás, sair da gruta e deixar-me continuar sózinho a expedição.
De repente fiquei sem luz e sem guia. Poderia ter saltado de volta, mas isso não é nem nunca foi opção para mim. Não entro em algo para desistir a meio. Afinal sou Rei. Como poderia dizer um dias ás minhas tropas para avancar, e só porque havia a possibilidade de derrota do horizonte, manda-los recuar? Após a morte do primeiro homem, não há retorno. O sangue pede sangue.
Não estou arrependido da minha decisão, nem sequer sinto raiva pelo abandono da minha guia. Foi uma sociedade proveitosa enquanto durou. Tenho comigo alguns achados interessantes e valiosos. A ironia é que não sei se algum dia verão a luz do dia, ou a escuridao de um museu.
Agora tateio nas paredes escuras e húmidas da gruta na busca de uma saida. E vejo luzes... que podem ser apenas o brilhar dos olhos de morcegos. Qualquer lampejo me anima.Acalento a esperança de um dia encontrar uma espeleologista perdida e possamos trocar achados, ou se ela tiver consigo pilhas, possamos ter luz para sair da gruta.
Afinal são apenas morcegos. Não faz mal. São uma boa conpanhia. Não me decepcionam Sempre foram aminha fiel companhia desde o inicio da viagem.
Monday, March 20, 2006
Sunday, March 19, 2006
"The worst life is, the longer it takes to end"
Uma frase tipica de filhos da puta desiludidos com a vida. Não estão bem? Matem-se. Ou mudem. De discursos miserabilistas está o governo cheio. Agora para viver é preciso mais do que isso. E preciso mais do que respirar e comer todas as refeicoes do dia. É preciso sorte.
Uma frase tipica de filhos da puta desiludidos com a vida. Não estão bem? Matem-se. Ou mudem. De discursos miserabilistas está o governo cheio. Agora para viver é preciso mais do que isso. E preciso mais do que respirar e comer todas as refeicoes do dia. É preciso sorte.
Saturday, March 18, 2006
Imperialismo
Pensava em coisas fúteis, como "será que por um pais me dar pão, mesa e oportunidade de dar algo há humanidade, eu tenho o direito de criticar, o que quer que seja dessa nação?". Nada de original.
Mas de repente a verdade atingiu-me, como o cajado da Lúcia na nuca do Francisquinho, quando este abraçava fraternamente uma ovelhita. Quem me paga a bolsa é o NIH do segundo maior pais da America do Norte.
Serei um Imperialista?
Vou beber uma Pint de Guiness a pensar nisso.
Pensava em coisas fúteis, como "será que por um pais me dar pão, mesa e oportunidade de dar algo há humanidade, eu tenho o direito de criticar, o que quer que seja dessa nação?". Nada de original.
Mas de repente a verdade atingiu-me, como o cajado da Lúcia na nuca do Francisquinho, quando este abraçava fraternamente uma ovelhita. Quem me paga a bolsa é o NIH do segundo maior pais da America do Norte.
Serei um Imperialista?
Vou beber uma Pint de Guiness a pensar nisso.
Sunday, March 12, 2006
Movies and consciousness
I went to the see a movie. Five of us in a car. Ecologically correct. Of course we only went there by car, because the cinema that is a 5 minute walk away is more expensive. The name of the movie? Syriana. Elegant story. Sometimes to predictable in terms of what we are expected to think after seeing it. I was led to think that somebody had to die so that could have the pleaser of seeing that movie. Do I care? Of course. That why I am flying next month.
Tuesday, February 14, 2006
Bubble Gum Boy
I am a bubble boy. Isolated from the rest of the world by these tick glass walls. I have no disease whatsoever that forces me to keep apart from my fellow species mates. I do breathe as any one of them. And yet, I feel as if I am different. One of the edges of a Gaussian curve.
The good part of bubble isolation that you can communicate with them, and yet none of theirs filthiness can touch me. No germs or bacteria, smoke or bad breath, and even their less-than-caveman ideas seem to soften through the glass and hit gently into my mind.
And it is a nice feeling to be aside. It seems to me as all the burden of living as vanished. Although I breed and I feel pain, my senses are numb. I am an ethereal body, whose main concern is to nurture myself. Keep me alive to continue observing.
That was how I felt in that night, at the pub. That is how I been feeling for the last weeks. I am the Observer. And they are all inside the bubble.
I am a bubble boy. Isolated from the rest of the world by these tick glass walls. I have no disease whatsoever that forces me to keep apart from my fellow species mates. I do breathe as any one of them. And yet, I feel as if I am different. One of the edges of a Gaussian curve.
The good part of bubble isolation that you can communicate with them, and yet none of theirs filthiness can touch me. No germs or bacteria, smoke or bad breath, and even their less-than-caveman ideas seem to soften through the glass and hit gently into my mind.
And it is a nice feeling to be aside. It seems to me as all the burden of living as vanished. Although I breed and I feel pain, my senses are numb. I am an ethereal body, whose main concern is to nurture myself. Keep me alive to continue observing.
That was how I felt in that night, at the pub. That is how I been feeling for the last weeks. I am the Observer. And they are all inside the bubble.
Qualquer dia e bom para nos lembrar-mos de Pessoa... e encontrei esta traducao...
I Am Tired
I am tired, that is clear,
Because, at certain stage, people have to be tired.
Of what I am tired, I don't know:
It would not serve me at all to know
Since the tiredness stays just the same.
The wound hurts as it hurts
And not in function of the cause that produced it.
Yes, I am tired,
And ever so slightly smiling
At the tiredness being only this -
In the body a wish for sleep,
In the soul a desire for not thinking
And, to crown all, a luminous transparency
Of the retrospective understanding ...
And the one luxury of not now having hopes?
I am intelligent: that's all.
I have seen much and understood much of what I
have seen.
And there is a certain pleasure even in tiredness
this brings us,
That in the end the head does still serve for
something.
(24.06.1935)
'Selected Poems' translated from Fernando Pessoa by J.Griffin.
I Am Tired
I am tired, that is clear,
Because, at certain stage, people have to be tired.
Of what I am tired, I don't know:
It would not serve me at all to know
Since the tiredness stays just the same.
The wound hurts as it hurts
And not in function of the cause that produced it.
Yes, I am tired,
And ever so slightly smiling
At the tiredness being only this -
In the body a wish for sleep,
In the soul a desire for not thinking
And, to crown all, a luminous transparency
Of the retrospective understanding ...
And the one luxury of not now having hopes?
I am intelligent: that's all.
I have seen much and understood much of what I
have seen.
And there is a certain pleasure even in tiredness
this brings us,
That in the end the head does still serve for
something.
(24.06.1935)
'Selected Poems' translated from Fernando Pessoa by J.Griffin.
Monday, August 01, 2005
Lady Pavlov
Um casal como tantos outros. Unidos pelo amor, pelo sexo e por várias razões de ordem prática que nos unem de forma puramente aleatória. E como nada se cria, nada se perde, mas tudo se move lá teve ele de partir para outro local, afastado fisicamente dela.
Um parêntese: () costumo opinar entre amigos que a maioria de nós homens somos básicos. Isto claro origina um coro de protestos do lado XX e XY. Não explicarei aqui o meu ponto de vista, mas acrescento que básico não é o mesmo que estúpido. Acrescento ainda que fico admirado pela forma como simples alteração da forma (ex: escrever Homem ao invés de homem) poderá fazer tanta diferença.
Continuando com a estória.
Quando foi embora ele deixou um ultimo pedido. Queria que ela continuasse a ter prazer sexual… com ele. Bem, pelo menos com ele no pensamento. Fazendo uso das novas tecnologias, e de alguma criatividade, sugeriu-lhe que de cada vez que ele se lembrasse dela, lhe “dava um toque” com o telemóvel. Ela por sua vez, teria de se masturbar imediatamente a pensar nele.
A sugestão foi prontamente aceite por ela.
Durante várias semanas e com frequência ele lembrava-se dela. Nestes momentos ela cumpria a sua parte do acordo e com a ânsia de quem necessita de carinho do companheiro, acariciava-se até o momento de êxtase final. Estes momentos de prazer revelarem-se tão ou mais intensos do que aqueles passado com o companheiro.
Enfim, as formas que encontramos para fazer perdurar as boas (poucas) sensações que a natura nos deu.
Um dia, numa festa tocou um telemóvel (imaginem só!!!). Ao princípio foi um toque subtil, mas que fez estremece-la, e um arrepio palmilhou as suas belas costas. Depois, como uma criança sedenta de atenção, o toque subiu de tom, num crescendo sinfónico, e com ele subiu também a pulsação dela… a cara ruborizou… a pulsação aumentou ainda mais… instintivamente colou as mãos ao colo acariciando-se languidamente… sentiu o latejar do corpo sedento de algo mais…
Passados alguns segundos, disfarçados pelo ruído da música, ouviram-se alguns gemidos vindos de um sofá, onde estava apenas uma rapariga com os olhos semicerrados – possivelmente a dormir, pensaram.
Nessa mesma noite, quando chegou a casa, telefonou-lhe para contar o que se tinha passado. Nessa mesma noite o casal deixou de existir (pelo menos segundo a definição social). Ele não aguentou o choque de saber que o toque de outros podia dar prazer à sua, agora ex-, companheira.

fotografia da autoria de Elyn
Um casal como tantos outros. Unidos pelo amor, pelo sexo e por várias razões de ordem prática que nos unem de forma puramente aleatória. E como nada se cria, nada se perde, mas tudo se move lá teve ele de partir para outro local, afastado fisicamente dela.
Um parêntese: () costumo opinar entre amigos que a maioria de nós homens somos básicos. Isto claro origina um coro de protestos do lado XX e XY. Não explicarei aqui o meu ponto de vista, mas acrescento que básico não é o mesmo que estúpido. Acrescento ainda que fico admirado pela forma como simples alteração da forma (ex: escrever Homem ao invés de homem) poderá fazer tanta diferença.
Continuando com a estória.
Quando foi embora ele deixou um ultimo pedido. Queria que ela continuasse a ter prazer sexual… com ele. Bem, pelo menos com ele no pensamento. Fazendo uso das novas tecnologias, e de alguma criatividade, sugeriu-lhe que de cada vez que ele se lembrasse dela, lhe “dava um toque” com o telemóvel. Ela por sua vez, teria de se masturbar imediatamente a pensar nele.
A sugestão foi prontamente aceite por ela.
Durante várias semanas e com frequência ele lembrava-se dela. Nestes momentos ela cumpria a sua parte do acordo e com a ânsia de quem necessita de carinho do companheiro, acariciava-se até o momento de êxtase final. Estes momentos de prazer revelarem-se tão ou mais intensos do que aqueles passado com o companheiro.
Enfim, as formas que encontramos para fazer perdurar as boas (poucas) sensações que a natura nos deu.
Um dia, numa festa tocou um telemóvel (imaginem só!!!). Ao princípio foi um toque subtil, mas que fez estremece-la, e um arrepio palmilhou as suas belas costas. Depois, como uma criança sedenta de atenção, o toque subiu de tom, num crescendo sinfónico, e com ele subiu também a pulsação dela… a cara ruborizou… a pulsação aumentou ainda mais… instintivamente colou as mãos ao colo acariciando-se languidamente… sentiu o latejar do corpo sedento de algo mais…
Passados alguns segundos, disfarçados pelo ruído da música, ouviram-se alguns gemidos vindos de um sofá, onde estava apenas uma rapariga com os olhos semicerrados – possivelmente a dormir, pensaram.
Nessa mesma noite, quando chegou a casa, telefonou-lhe para contar o que se tinha passado. Nessa mesma noite o casal deixou de existir (pelo menos segundo a definição social). Ele não aguentou o choque de saber que o toque de outros podia dar prazer à sua, agora ex-, companheira.

fotografia da autoria de Elyn
Saturday, March 19, 2005
Thursday, March 17, 2005
A chave do meu cérebro
Algumas teorias neurológicas atribuem a esquizofrenia, pelo menos em parte, à hipofunção cerebral, devido á interrupção da transmissão dopaminergica. Ou seja, quando os neurónio passam menos informação entre si. Discordo em absoluto. Concordo mais com a outra visão que atribui as alucinações ao aumento da actividade cerebral.E com conhecimento de causa.
Eu sou esquizofrénico sazonal. Não. A designação “sazonal” não é a melhor, mas digamos que quando bebo mais café e fico mais ansioso, mais alerta ao que me rodeia, começo a criar no meu cérebro tramas holiwoodescas (e não estabeleço qualquer relação causa/efeito entre a cafeína e a maior percepção da realidade). A cafeína excesso provoca um estado de ansiedade alucinada.
Estas tramas que no início são apenas devaneios, tornam-se cada vez mais densas, e por mais implausíveis que sejam eu assumo que se não aconteceu (apenas duvido porque me faltam provas concludentes), poderia muito bem ter acontecido. E sejamos francos, se algo pode acontecer, é como se fosse tão real com qualquer outra coisa. Falta de provas… pfui!! As pessoas inteligentes podem fazer o que querem sem ser apanhadas (eu que o diga). A falta de provas nunca provou nada. E qualquer sorriso, qualquer afirmação inocente, os olhares de esguelha no corredor, as frases sussurradas, tudo isso encaixa na minha trama. E sim, os humanos são cruéis, maliciosos, maquiavélicos. A única pessoa com quem sempre pude contar sou eu! Só eu me conheço! Eu sou o meu melhor amigo e só eu me posso fazer sofrer.
Mas o mais interessante acontece quando estou deitado, naquele estado de semi-inconsciência que antecede o sono. Começo a ouvir vozes. Elas são criadas pela minha imaginação, sei disso, e isso não é estranho. Mas agora imaginem que estão a ouvir rádio… podemos começar pela TSF… “o ministro justificou a medida com essencial ao progresso de país e a oposição contrapôs em uníssono que o equilíbrio orçamental e o progresso são coisas independentes”… agora aumentem o volume do rádio. Sim. Aumentem o volume do desse som que só existe na vossa cabeça. Aumentem até se tornar insuportável. E agora vão mudando de estação em estação… “se o meu amor me quiser, basta fazer-me um sinal…” “o médio lesionou-se no treino e antevê-se dificuldades no próximo embate da equipa…” “quero buzinar no meu calhambeque… Pipi… Pipi” “a situação no médio oriente degrada-se a cada dia que passa, e o roteiro de paz está mais uma vez em perigo…” tudo isto no vosso cérebro. As notícias, as musicas, os anúncios sucedem-se em catadupa na vossa cabeça, e vocês não conseguem parar, e nada disto é real, nada disto foi ouvido durante o dia, mas na minha cabeça tudo acontece com uma realidade impressionante. Eu tenho um controlador d volume de som no meu cérebro… e veio de série.
Há dias em que adormeço como um bebé. E sonho. Um dia acordei no meio de um sonho, e fiquei num estado de semi-inconsciência. Esse sonho, que não vou descrever, era apenas uma continuação das tramas urdidas no meu cérebro durante o dia. Acordei, e não quis voltar a adormecer. A antevisão do que sonharia em seguida fazia com que o meu coração se contrai-se, e uma mágoa imensa começou a afligir-me. Não queria voltar a adormecer, embora precisasse de descansar pois estava extenuado. Decerto que já vos aconteceu acordar, mas por algum tempo prolongarem semi-conscientemente os vossos sonhos. Muito agradável. É uma espécie de transição entre dois mundos. Um acordar perfeito, lento, cálido como o final de uma tarde de verão. Não muito agradável quando no sonho se reconstitui o pior dos vossos medos. Pior ainda se tiverem tendências masoquistas, se tornarem conscientemente o sonho pior do que estava ser. Não quis adormecer para não voltar ao sonho, mas ao ficar acordado o sonho tornou-se ainda mais nítido, juro que por momentos pensei que ele se materializou, e que tudo aconteceu naquilo a que chamamos realidade. Eu sou o melhor inimigo pois sou quem me conhece melhor.
“Lá estás tu com a mania que és esquizófrenico!”
“Isso é donça de rico e tu és pobre, pá! Tu és mas é louco! Esquizofrénico só porque ouves vozes na tua cabeça.”
“Nem louco ele é! Pensas que descrever as tuas supostas alucinações te vai tornar mais interessante?”
“E pesadelos!!! Come menos antes de te deitares. Ou pensas que és mais do que os outros?”
“bem-vindo de volta á mediocridade…”
“…de onde nunca saístes.”

Ainda vem que me trouxeram de volta é terra. Julgar que era diferente dos outros só porque ouço vozes na minha cabeça e acho que sou o divertimento de todos os que me rodeiam, quando bebo demasiado café. Onde é que eu estava com a minha cabeça?
Poderia deixar de beber café, a causa de todos os meus males. Mas também gostaria de me sentir desejado.
Esquizofrenia (sintomas) - ideias delirantes, pensamentos irreais, "ideias individuais do doente que não são partilhadas por um grande grupo; as alucinações, percepções irreais"; ouvir, ver, saborear, cheirar ou sentir algo irreal, sendo mais frequente as alucinações auditivo-visuais; pensamento e discurso desorganizado, elaborar frases sem qualquer sentido ou inventar palavras; alterações do comportamento, ansiedade, impulsos, agressividade. Perda ou diminuição das capacidades mentais acompanham a evolução da doença e reflectem um estado deficitário ao nível da motivação, das emoções, do discurso, do pensamento e das relações interpessoais, como a falta de vontade ou de iniciativa; isolamento social; apatia; indiferença emocional; pobreza do pensamento. (fonte: wikipedia)
Algumas teorias neurológicas atribuem a esquizofrenia, pelo menos em parte, à hipofunção cerebral, devido á interrupção da transmissão dopaminergica. Ou seja, quando os neurónio passam menos informação entre si. Discordo em absoluto. Concordo mais com a outra visão que atribui as alucinações ao aumento da actividade cerebral.E com conhecimento de causa.
Eu sou esquizofrénico sazonal. Não. A designação “sazonal” não é a melhor, mas digamos que quando bebo mais café e fico mais ansioso, mais alerta ao que me rodeia, começo a criar no meu cérebro tramas holiwoodescas (e não estabeleço qualquer relação causa/efeito entre a cafeína e a maior percepção da realidade). A cafeína excesso provoca um estado de ansiedade alucinada.
Estas tramas que no início são apenas devaneios, tornam-se cada vez mais densas, e por mais implausíveis que sejam eu assumo que se não aconteceu (apenas duvido porque me faltam provas concludentes), poderia muito bem ter acontecido. E sejamos francos, se algo pode acontecer, é como se fosse tão real com qualquer outra coisa. Falta de provas… pfui!! As pessoas inteligentes podem fazer o que querem sem ser apanhadas (eu que o diga). A falta de provas nunca provou nada. E qualquer sorriso, qualquer afirmação inocente, os olhares de esguelha no corredor, as frases sussurradas, tudo isso encaixa na minha trama. E sim, os humanos são cruéis, maliciosos, maquiavélicos. A única pessoa com quem sempre pude contar sou eu! Só eu me conheço! Eu sou o meu melhor amigo e só eu me posso fazer sofrer.
Mas o mais interessante acontece quando estou deitado, naquele estado de semi-inconsciência que antecede o sono. Começo a ouvir vozes. Elas são criadas pela minha imaginação, sei disso, e isso não é estranho. Mas agora imaginem que estão a ouvir rádio… podemos começar pela TSF… “o ministro justificou a medida com essencial ao progresso de país e a oposição contrapôs em uníssono que o equilíbrio orçamental e o progresso são coisas independentes”… agora aumentem o volume do rádio. Sim. Aumentem o volume do desse som que só existe na vossa cabeça. Aumentem até se tornar insuportável. E agora vão mudando de estação em estação… “se o meu amor me quiser, basta fazer-me um sinal…” “o médio lesionou-se no treino e antevê-se dificuldades no próximo embate da equipa…” “quero buzinar no meu calhambeque… Pipi… Pipi” “a situação no médio oriente degrada-se a cada dia que passa, e o roteiro de paz está mais uma vez em perigo…” tudo isto no vosso cérebro. As notícias, as musicas, os anúncios sucedem-se em catadupa na vossa cabeça, e vocês não conseguem parar, e nada disto é real, nada disto foi ouvido durante o dia, mas na minha cabeça tudo acontece com uma realidade impressionante. Eu tenho um controlador d volume de som no meu cérebro… e veio de série.
Há dias em que adormeço como um bebé. E sonho. Um dia acordei no meio de um sonho, e fiquei num estado de semi-inconsciência. Esse sonho, que não vou descrever, era apenas uma continuação das tramas urdidas no meu cérebro durante o dia. Acordei, e não quis voltar a adormecer. A antevisão do que sonharia em seguida fazia com que o meu coração se contrai-se, e uma mágoa imensa começou a afligir-me. Não queria voltar a adormecer, embora precisasse de descansar pois estava extenuado. Decerto que já vos aconteceu acordar, mas por algum tempo prolongarem semi-conscientemente os vossos sonhos. Muito agradável. É uma espécie de transição entre dois mundos. Um acordar perfeito, lento, cálido como o final de uma tarde de verão. Não muito agradável quando no sonho se reconstitui o pior dos vossos medos. Pior ainda se tiverem tendências masoquistas, se tornarem conscientemente o sonho pior do que estava ser. Não quis adormecer para não voltar ao sonho, mas ao ficar acordado o sonho tornou-se ainda mais nítido, juro que por momentos pensei que ele se materializou, e que tudo aconteceu naquilo a que chamamos realidade. Eu sou o melhor inimigo pois sou quem me conhece melhor.
“Lá estás tu com a mania que és esquizófrenico!”
“Isso é donça de rico e tu és pobre, pá! Tu és mas é louco! Esquizofrénico só porque ouves vozes na tua cabeça.”
“Nem louco ele é! Pensas que descrever as tuas supostas alucinações te vai tornar mais interessante?”
“E pesadelos!!! Come menos antes de te deitares. Ou pensas que és mais do que os outros?”
“bem-vindo de volta á mediocridade…”
“…de onde nunca saístes.”
Ainda vem que me trouxeram de volta é terra. Julgar que era diferente dos outros só porque ouço vozes na minha cabeça e acho que sou o divertimento de todos os que me rodeiam, quando bebo demasiado café. Onde é que eu estava com a minha cabeça?
Poderia deixar de beber café, a causa de todos os meus males. Mas também gostaria de me sentir desejado.
Esquizofrenia (sintomas) - ideias delirantes, pensamentos irreais, "ideias individuais do doente que não são partilhadas por um grande grupo; as alucinações, percepções irreais"; ouvir, ver, saborear, cheirar ou sentir algo irreal, sendo mais frequente as alucinações auditivo-visuais; pensamento e discurso desorganizado, elaborar frases sem qualquer sentido ou inventar palavras; alterações do comportamento, ansiedade, impulsos, agressividade. Perda ou diminuição das capacidades mentais acompanham a evolução da doença e reflectem um estado deficitário ao nível da motivação, das emoções, do discurso, do pensamento e das relações interpessoais, como a falta de vontade ou de iniciativa; isolamento social; apatia; indiferença emocional; pobreza do pensamento. (fonte: wikipedia)
A Caverna (de Platão)
(co-autoria de Elyn)

Sinto-me com se estivesse numa jaula, numa gaiola... E quando encosto o meu rosto ás barras que me prende sinto o vento da liberdade que sopra lá fora, e me chama. E a vontade de sair apodera-se de mim como um desejo quase carnal, impaciente... A chave da gaiola está no centro da mesma, bastam-me uns passos e estender a mão...
Enquanto caminho observo a gaiola. Conheço todos os seus cantos. As fotografias na parede por mim penduradas. Aquela cadeira saída do meu labor. Nesta ambiente aconchegado sinto-me seguro. Há perigos, a vida aqui não é fácil, não sou objectivamente livre de fazer o que quero por mais que tente. Por mais poder que tenha nunca estarei no topo da hierarquia. Que perigos me espreitam lá fora? Os de cá dentro já os conheço, prevejo-os, sei como me esquivar, ou como sarar as feridas que eles que causam. Mas e lá fora? Terei liberdade! Mas sobreviverei tempo suficiente para dela usufruir?
(co-autoria de Elyn)

Sinto-me com se estivesse numa jaula, numa gaiola... E quando encosto o meu rosto ás barras que me prende sinto o vento da liberdade que sopra lá fora, e me chama. E a vontade de sair apodera-se de mim como um desejo quase carnal, impaciente... A chave da gaiola está no centro da mesma, bastam-me uns passos e estender a mão...
Enquanto caminho observo a gaiola. Conheço todos os seus cantos. As fotografias na parede por mim penduradas. Aquela cadeira saída do meu labor. Nesta ambiente aconchegado sinto-me seguro. Há perigos, a vida aqui não é fácil, não sou objectivamente livre de fazer o que quero por mais que tente. Por mais poder que tenha nunca estarei no topo da hierarquia. Que perigos me espreitam lá fora? Os de cá dentro já os conheço, prevejo-os, sei como me esquivar, ou como sarar as feridas que eles que causam. Mas e lá fora? Terei liberdade! Mas sobreviverei tempo suficiente para dela usufruir?
Wednesday, March 09, 2005
Nature vs Nurture (2)
Aceito – não tenho mesmo outro remédio – que um Homem superior a mim por o que a Natureza lhe deu – o talento, a força, a energia; Não aceito que ele seja meu superior por qualidade postiças, com que não saiu do ventre da mãe, mas que lhe aconteceram por bambúrrio logo que ele apareceu cá fora – a riqueza, a posição social, a vida facilitada, etc.…
”O banqueiro anarquista”, Fernando Pessoa
Aceito – não tenho mesmo outro remédio – que um Homem superior a mim por o que a Natureza lhe deu – o talento, a força, a energia; Não aceito que ele seja meu superior por qualidade postiças, com que não saiu do ventre da mãe, mas que lhe aconteceram por bambúrrio logo que ele apareceu cá fora – a riqueza, a posição social, a vida facilitada, etc.…
”O banqueiro anarquista”, Fernando Pessoa
Monday, February 21, 2005
Wednesday, February 16, 2005
Politica e Poder
"Porque poderá haver poder sem subserviência, mas esta não existe sem poder", belas palavras caro Nilson. Porque eu não nego o poder (a anarquia não parte do meu cardápio sócio-político), mas é possível aceitar o poder sem se lhe ser subserviente.
Devo dizer que em TEORIA nenhuma forma de poder ou organização política ou social é necessariamente má (com excepção para as que restringem as liberdades individuais). O grande problema é que todas elas (Marximismo, Liberalismo, Presidencialismo, Monarquias...) são humanas. Tem falhas. Os campos de deportação na Sibéria não são um erro do marximismo, mas dos Homens que em nome dele governaram. O nosso sistema político não é intrinsecamente mau, mas antes os políticos que o mantêm (e nele se mantêm) é que o tornam mau. Quanto ao poder do povo… Alguém uma vez disse que “um país é o reflexo das suas elites” mas não serão as elites criadas pelo povo?
"Porque poderá haver poder sem subserviência, mas esta não existe sem poder", belas palavras caro Nilson. Porque eu não nego o poder (a anarquia não parte do meu cardápio sócio-político), mas é possível aceitar o poder sem se lhe ser subserviente.
Devo dizer que em TEORIA nenhuma forma de poder ou organização política ou social é necessariamente má (com excepção para as que restringem as liberdades individuais). O grande problema é que todas elas (Marximismo, Liberalismo, Presidencialismo, Monarquias...) são humanas. Tem falhas. Os campos de deportação na Sibéria não são um erro do marximismo, mas dos Homens que em nome dele governaram. O nosso sistema político não é intrinsecamente mau, mas antes os políticos que o mantêm (e nele se mantêm) é que o tornam mau. Quanto ao poder do povo… Alguém uma vez disse que “um país é o reflexo das suas elites” mas não serão as elites criadas pelo povo?
Tuesday, February 15, 2005
Irmã Lúcia, Padroeira dos hipócritas

O local onde exerço a minha actividade fica mesmo em frente á Igreja onde esteve o corpo da Irmã Lúcia. Enquanto desfilavam personalidades, perdão, personagens e populares em frente ás câmaras de televisão e ao aparato mediático que envolveu as cerimónias fúnebres desta personalidade que curiosamente até tinha feito um voto de silêncio, numa das janelas deste edifício estavam alguns “intelectuais iluminados”.
Estes passaram a tarde a observar, quais abutres do alto das arvores, tudo o que se passava na praça. E comentavam entre si o espectáculo patético que era tudo aquilo em volta do funeral. Daí passaram para a agressão gratuita aos crentes e às expressões tão banais e tão enraízas na nossa língua como “deus queira que ganhe o Benfica”. E a hipocrisia de políticos e pesudo-VIP’s que tudo fazem para aparecer em frente a uma objectiva. Falavam da falta de inteligência de pessoas que fizeram excursões E assim passaram a tarde empoleirados na secretária junto da janela.
Eu passava de um lado para o outro nos corredores pensando que a hipocrisia tanto existe a céu aberto como no interior de edifícios imponentes.
Fotografia por Bodikea
O local onde exerço a minha actividade fica mesmo em frente á Igreja onde esteve o corpo da Irmã Lúcia. Enquanto desfilavam personalidades, perdão, personagens e populares em frente ás câmaras de televisão e ao aparato mediático que envolveu as cerimónias fúnebres desta personalidade que curiosamente até tinha feito um voto de silêncio, numa das janelas deste edifício estavam alguns “intelectuais iluminados”.
Estes passaram a tarde a observar, quais abutres do alto das arvores, tudo o que se passava na praça. E comentavam entre si o espectáculo patético que era tudo aquilo em volta do funeral. Daí passaram para a agressão gratuita aos crentes e às expressões tão banais e tão enraízas na nossa língua como “deus queira que ganhe o Benfica”. E a hipocrisia de políticos e pesudo-VIP’s que tudo fazem para aparecer em frente a uma objectiva. Falavam da falta de inteligência de pessoas que fizeram excursões E assim passaram a tarde empoleirados na secretária junto da janela.
Eu passava de um lado para o outro nos corredores pensando que a hipocrisia tanto existe a céu aberto como no interior de edifícios imponentes.
Fotografia por Bodikea
Monday, January 31, 2005
Muralhas do Poder
A vida fora do castelo seguia plácida e cada um regulava a sua vida pelo seu relógio circadiano, oferta do bom deus, e a bem dizer o único bem que possuíam.
Um marido enraivecido pelo ciúme procura a sua mulher, “deve estar embrulhada com o padeiro, aquelas mãos que amassam e dão forma ao pão macio também assim amassarão e darão forma ao prazer carnal da minha mulher”. Noutro ponto da aldeia uma mulher é violada por um grupo de soldados que á falta de melhor soldo, matam assim uma fome de cariz diferente. Quem sabe não será a mulher que alguém procura por ciúme, e quem sabe á noite, ao invés de lhe curar as feridas lhe irá marcar ainda mais o corpo. Não são só os animais que marcam território.
Nestes tempos trabalha-se enquanto á sol e quando ele se põe ruma-se ao lar. Come-se algum pão duro com carne de salmoura enquanto arde a lenha reservada, e poupada, para aquela noite. Não são precisas velas de azeite nem outras comodidades. Quem nada tem não pode nunca desperdiçar. E a luz para que servirá? Para ler? As gentes simples do povo não sabem sequer que a palavra existe noutra forma que não aquela que lhes chega ao ouvido. E mesmo que soubessem, para que serviria um livro quando se tem de trabalhar sob o chicote da fome e dos senhores. Quando a preocupação é alimentar o castelo e só depois o seu próprio estômago não tempo para o supérfluo. E dorme-se nas palhas que amanhã serão dadas como alimento aos animais.
O sol que passava através das muralhas do castelo era apenas uma fracção do que estava para lá dos blocos de pedras ordenados para a segurança da “população do castelo”, assim o diziam os Nobres. Assim segue a vida dentro e fora do castelo. Uns são apenas escravos de outros. As terras e o produto pertencem aos Nobres. Os frades asseguram que Deus é o dono de tudo, mas são eles os administradores dos bens terrenos de Deus.
O poder provém da subserviência que lhe está implícita.
P.S- Os meus agradecimentos à Elyn pela fotografia.
A vida fora do castelo seguia plácida e cada um regulava a sua vida pelo seu relógio circadiano, oferta do bom deus, e a bem dizer o único bem que possuíam.
Um marido enraivecido pelo ciúme procura a sua mulher, “deve estar embrulhada com o padeiro, aquelas mãos que amassam e dão forma ao pão macio também assim amassarão e darão forma ao prazer carnal da minha mulher”. Noutro ponto da aldeia uma mulher é violada por um grupo de soldados que á falta de melhor soldo, matam assim uma fome de cariz diferente. Quem sabe não será a mulher que alguém procura por ciúme, e quem sabe á noite, ao invés de lhe curar as feridas lhe irá marcar ainda mais o corpo. Não são só os animais que marcam território.
Nestes tempos trabalha-se enquanto á sol e quando ele se põe ruma-se ao lar. Come-se algum pão duro com carne de salmoura enquanto arde a lenha reservada, e poupada, para aquela noite. Não são precisas velas de azeite nem outras comodidades. Quem nada tem não pode nunca desperdiçar. E a luz para que servirá? Para ler? As gentes simples do povo não sabem sequer que a palavra existe noutra forma que não aquela que lhes chega ao ouvido. E mesmo que soubessem, para que serviria um livro quando se tem de trabalhar sob o chicote da fome e dos senhores. Quando a preocupação é alimentar o castelo e só depois o seu próprio estômago não tempo para o supérfluo. E dorme-se nas palhas que amanhã serão dadas como alimento aos animais.
O sol que passava através das muralhas do castelo era apenas uma fracção do que estava para lá dos blocos de pedras ordenados para a segurança da “população do castelo”, assim o diziam os Nobres. Assim segue a vida dentro e fora do castelo. Uns são apenas escravos de outros. As terras e o produto pertencem aos Nobres. Os frades asseguram que Deus é o dono de tudo, mas são eles os administradores dos bens terrenos de Deus.
O poder provém da subserviência que lhe está implícita.
P.S- Os meus agradecimentos à Elyn pela fotografia.
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